Se estava nervosa no início, garanto que durou cerca de 3 dias. Quem esteve lá comigo sabe que uma semana antes de me ir embora já estava com os nervos a flor da pele. 3 dias antes de ir embora não consiguia respirar, nem fome tinha, tinha um aperto gigante no peito que não me deixava. Dava por mim sozinha a chorar enquanto refletia sobre o meu tempo lá.
O mais engraçado é que se me perguntarem se gostei de Nairobi, eu respondo muito rapidamente que não. A corrupção a todos os níveis, a poluição que me fazia ter dores de cabeça todos os dias, o trânsito agressivo que dava cabo da cabeça a qualquer um, a pobreza, o lixo a ser queimado em todos os cantos, o cinzento... Aquela cidade é aquele tipo de sítio em que ninguém gostaria de viver.
Mas depois pergunto-me eu própria: como é que é possível ser tão feliz num sítio tão desagradável? É estranho mas a verdade é que não me lembro de ter sido tão feliz em toda à minha vida como fui lá. Aquelas crianças ajudaram muito em que isso acontecesse, é verdade. É uma imagem que penso que me vai acompanhar sempre, aqueles miúdos são uma lição de vida ambulante. A maneira como encaram a vida é magnífica, e damos por nós a queixar-nos constantemente de futilidades (contra mim falo claro). As pessoas com quem partilhei aquela experiência também. Conheci pessoas fantásticas. Desde os meus mosqueteiros, à minha Marianinha, a Laura, aos chineses, aos europeus, aos brazucas, a toooodos sem exepção, todos eles marcaram a minha experiência provavelmente sem terem noção disso.
Mas de tudo isto, acho que o que vou ter mais saudades é de acordar de manhã e sentir "hoje vou fazer algo que realmente amo e me faz genuinamente feliz"... É uma sensação de que muitos falam, mas sentir isso todos os dias... não tenho palavras para o descrever. É uma sensação de privilégio, de felicidade pura que nem todos têm a oportunidade de sentir na vida e eu tive essa sorte, durante 7 semanas! Só me mostrou que isto me faz feliz, e ofereceu-me uma das respostas que eu procurava com esta experiência: "O que quero fazer depois da licenciatura?". Está aí, quero ajudar pessoas. Quero resolver problemas, quero melhorar o dia de alguém... mais do que querer, preciso! Preciso porque sinto que é uma das razões para que estou aqui, e se sou tão feliz a ajudar os outros porque não fazê-lo?
Mas de tudo isto, acho que o que vou ter mais saudades é de acordar de manhã e sentir "hoje vou fazer algo que realmente amo e me faz genuinamente feliz"... É uma sensação de que muitos falam, mas sentir isso todos os dias... não tenho palavras para o descrever. É uma sensação de privilégio, de felicidade pura que nem todos têm a oportunidade de sentir na vida e eu tive essa sorte, durante 7 semanas! Só me mostrou que isto me faz feliz, e ofereceu-me uma das respostas que eu procurava com esta experiência: "O que quero fazer depois da licenciatura?". Está aí, quero ajudar pessoas. Quero resolver problemas, quero melhorar o dia de alguém... mais do que querer, preciso! Preciso porque sinto que é uma das razões para que estou aqui, e se sou tão feliz a ajudar os outros porque não fazê-lo?
Apesar desta felicidade fica também um sentimento de frustração, de deixar muita coisa por fazer, muito por resolver, por corrigir... 7 semanas sabe a pouco, muito pouco. É difícil explicar por palavras o que esta experiência foi. Todos nós sabemos que há pobreza no mundo, que há favelas, que há gente a morrer todos os dias, mas o facto de estar lá, é algo que não se consegue apagar... São problemas com os quais deixas de conseguir conviver tão facilmente! Não se consegue mais ser indiferente. E quando conto o que vi às pessoas, as reações são "ai, é uma miséria" mas passado 10 minutos eles seguem com a sua vidinha, mas para mim é difícil. Sempre que olho para um miúdo a fazer birra, para um prato com comida, para um livro, para tudo, tudo me remete para aquele sítio e para aqueles problemas. Mais do que nunca também me sinto agradecida pela vida maravilhosa que tive, cada vez mais me sinto uma privilegiada.
Esta experiência trouxe-me muito, mas mais do que tudo trouxe-me um começo. Finalmente descobri o meu lugar, o que me faz feliz, e uma vez que isso acontece, é impossível de se ignorar... Só há um caminho a seguir e o meu caminho é este.




