sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Obrigada Quénia.

Quando decidi que ia para o Quénia nunca achei que me ia trazer tanto. Ou então tinha medo que me trouxesse tanto... Quando me perguntavam qual era o meu maior receio, eu respondia que era gostar demasiado daquilo e acabou mesmo por acontecer.
Se estava nervosa no início, garanto que durou cerca de 3 dias. Quem esteve lá comigo sabe que uma semana antes de me ir embora já estava com os nervos a flor da pele. 3 dias antes de ir embora não consiguia respirar, nem fome tinha, tinha um aperto gigante no peito que não me deixava. Dava por mim sozinha a chorar enquanto refletia sobre o meu tempo lá.
O mais engraçado é que se me perguntarem se gostei de Nairobi, eu respondo muito rapidamente que não. A corrupção a todos os níveis, a poluição que me fazia ter dores de cabeça todos os dias, o trânsito agressivo que dava cabo da cabeça a qualquer um, a pobreza, o lixo a ser queimado em todos os cantos, o cinzento... Aquela cidade é aquele tipo de sítio em que ninguém gostaria de viver.
Mas depois pergunto-me eu própria: como é que é possível ser tão feliz num sítio tão desagradável? É estranho mas a verdade é que não me lembro de ter sido tão feliz em toda à minha vida como fui lá. Aquelas crianças ajudaram muito em que isso acontecesse, é verdade. É uma imagem que penso que me vai acompanhar sempre, aqueles miúdos são uma lição de vida ambulante. A maneira como encaram a vida é magnífica, e damos por nós a queixar-nos constantemente de futilidades (contra mim falo claro). As pessoas com quem partilhei aquela experiência também. Conheci pessoas fantásticas. Desde os meus mosqueteiros, à minha Marianinha, a Laura, aos chineses, aos europeus, aos brazucas, a toooodos sem exepção, todos eles marcaram a minha experiência provavelmente sem terem noção disso.
Mas de tudo isto, acho que o que vou ter mais saudades é de acordar de manhã e sentir "hoje vou fazer algo que realmente amo e me faz genuinamente feliz"... É uma sensação de que muitos falam, mas sentir isso todos os dias... não tenho palavras para o descrever. É uma sensação de privilégio, de felicidade pura que nem todos têm a oportunidade de sentir na vida e eu tive essa sorte, durante 7 semanas! Só me mostrou que isto me faz feliz, e ofereceu-me uma das respostas que eu procurava com esta experiência: "O que quero fazer depois da licenciatura?". Está aí, quero ajudar pessoas. Quero resolver problemas, quero melhorar o dia de alguém... mais do que querer, preciso! Preciso porque sinto que é uma das razões para que estou aqui, e se sou tão feliz a ajudar os outros porque não fazê-lo?
Apesar desta felicidade fica também um sentimento de frustração, de deixar muita coisa por fazer, muito por resolver, por corrigir... 7 semanas sabe a pouco, muito pouco. É difícil explicar por palavras o que esta experiência foi. Todos nós sabemos que há pobreza no mundo, que há favelas, que há gente a morrer todos os dias, mas o facto de estar lá, é algo que não se consegue apagar... São problemas com os quais deixas de conseguir conviver tão facilmente! Não se consegue mais ser indiferente. E quando conto o que vi às pessoas, as reações são "ai, é uma miséria" mas passado 10 minutos eles seguem com a sua vidinha, mas para mim é difícil. Sempre que olho para um miúdo a fazer birra, para um prato com comida, para um livro, para tudo, tudo me remete para aquele sítio e para aqueles problemas. Mais do que nunca também me sinto agradecida pela vida maravilhosa que tive, cada vez mais me sinto uma privilegiada. 
Esta experiência trouxe-me muito, mas mais do que tudo trouxe-me um começo. Finalmente descobri o meu lugar, o que me faz feliz, e uma vez que isso acontece, é impossível de se ignorar... Só há um caminho a seguir e o meu caminho é este.

Day 47 and 48

Sim, atrasei-me a postar desta vez. Provavelmente porque é o posto mais difícil que tive de fazer em toda esta viagem. Mas deixemos as reflexões para outro post.
Passei o dia em casa, a refletir sobre tudo aquilo que fiz lá, algumas lágrimas envolvidas, muitos sorrisos parvos também, mas muito receio de voltar. Aproveitei para adiantar algum trabalho e fazer a mala, custou-me imenso, parece que foi quando me bateu tudo, que ia voltar a casa no dia seguinte...
Felizmente chegou a tarde e fomos todos ao cinema ver um filme, comer umas pipocas e depois jantar juntos. Foi uma boa despedida, simples, mas com aquelas pessoas incríveis...
Veio a primeira despedida, O Mahmoud não mora na minha casa, por isso lá foram as primeiras lágrimas... Ao regressar a casa o mais incríveis aconteceu. Eu decidi não dormir porque não valia a pena, mas achei que fosse ficar acordada só com a Mariana como companhia mas as horas iam passando, e todos estavam comigo na sala e é quando percebi... Percebi que é muito fácil deixar alguém marcar-te e perceberes quem te marca, mas quando vais para uma aventura destas, também deixas a tua marca naquelas pessoas... A verdade é que ninguém tinha feito isto por outra pessoa, mas lá estávamos todos, às 4:00 da manhã a ver videos estúpidos na net, como se nada fosse, quando a maioria deles tinha de acordar dali a duas horas para ir trabalhar!
As despedidas começaram a vir, tentei não chorar, sabia que ia ser difícil, tirei um tempinho para lhes escrever umas coisinhas, coisas que não sou muito boa a dizer na cara, mas que todos eles mereciam ouvir por ter tornado o meu tempo naquela casa tão incrível.
A despedida da Mariana foi a pior, como era de prever... Choramos imensos, mesmo sabendo que estamos no mesmo país, mas acho que sentimos que esta aventura fez sentido juntas, e sei que fiz ali uma irmã para a vida. Partilham-se coisas que não acontecem no dia-a-dia normal lá, daí ficarmos tão próximos uns dos outros em tão pouco tempo... (pareço uma concorrente da casa dos segredos)
Finalmente apanhei o avião, dormi o tempo todo o que é bom, em Amesterdão apanhei um grupo de escuteiros barulhento mas pronto, não os deixei incomodar-me e dormir outra vez. Cheguei a Portugal à volta das 23:00 e fui diretamente para casa dormir mas este regresso está a ser estranho. Mas fica para o próximo post.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Day 44, 45, 46

Desculpem a ausência mas claro que tinha de ter um problema técnico agora que isto está a acabar e não consigo aceder à internet com o meu computador.
Estes dias têm sido emocionalmente duros, acho que ainda não caí em mim em relação à minha partida. Sinto que ainda há tanto por fazer, tanto por mudar e 7 semanas não é mesmo suficiente para ter o impacto de que tanto se falta.
Na sexta-feira fui à minha escola, pelo última vez, e encontrei um pequeno grupo de miúdos, sendo que muitos já estão de férias... Tivemos a conversar, comemos umas bolachas e pipocas, dei-lhes uns autocolantes e uns cadernos com uma pequena mensagem para cada um deles. Falei com eles sobre o facto dos professores lhes baterem e eles acham que é tão natural... Quando lhes disse que era ilegal no Quénia os professores baterem nos alunos eles até se riram e perguntaram-me "então como é suposto sermos castigados?"... É este tipo de mentalidade que atrasa um país com tanto potencial como este. Estes miúdos, cheios de sonhos e ambições que têm os próprios professores como obstáculo quando deviam ser os principais motivadores.
Depois chamei o Victor a parte, disse-lhe que sabia que tinha dificuldades financeiras e que, por isso, se continuasse a trabalhar muito e esforçar-se lhe ia pagar o secundário. Não tenho palavras para descrever aquele sorriso, genuíno, feliz, humilde, de lágrimas nos olhos. Nunca me vou esquecer daquela expressão.
A hora da despedida foi super difícil, sempre que penso no assunto apetece-me chorar. Aquelas crianças são a minha felicidade neste momento e não sei se me sinto preparada para deixar isto tudo para trás. Sei que não tenho escolha, mas não me sinto preparada de todo.
Entretanto a nossa brazuca Luziane deixou-nos também, fico feliz por ser a próxima a ir assim também só me custo mais uma vez, a mais difícil, mas só mais uma vez.
Sábado fomos sair para a grande despedida, foi super divertido, domingo fomos almoçar juntos e basicamente tem sido isto,
Estou emocionalmente esgotada, não consigo acreditar que daqui a um dia vou estar de volta a Portugal. Não me entendam mal, tenho saudades de casa, mas isto soube-me a pouco...

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Day 43

Hoje era para ficar em casa a descansar mas felizmente tomei a decisão de ir a outro projeto por isso fui a favela de Mathare e foi uma sensação engraçada porque pela primeira vez senti que entrei mesmo numa favela. A favela onde eu trabalho é mesmo boa relativamente a esta e sei que ainda há piores.
Antes de ir a favela fomos comprar umas coisas para os meninos e depois fomos para a favela. Demoramos imenso tempo a lá chegar, realmente eu não tenho metade do trabalho que eles têm todos os dias para chegar a favela. Mal cheguei lá estive aquela arrepio que tive no meu primeiro dia, aquele sentimento de "ok, isto sim é uma favela": casas feitas de lata, lixo em todo o lado, sentia-se literalmente a pobreza que lá se vive.




Quando cheguei à escola os miúdos estavam super alegres, aquela energia que conquista qualquer pessoa, ninguém fica indiferente. A escola é minúscula, uma sala de aulas tem centenas de alunos, sem luz, os professores batem-lhes (literalmente, apanhei uma a bater num dos miúdos mas parou quando me viu e agiu como se tivesse minimamente preocupada) mas os miúdos eram tão incríveis.


Entretanto estive a conviver com os miúdos e eu sei que é super lamechas mas estes miúdos só precisam de amor. Eles estavam genuinamente tão feliz só por estar ali comigo, davam-me as mãos, abraçavam-me e são todos tão transparentes no que diz respeito aos sentimentos deles que a felicidade estava estampada naquelas carinhas maravilhosas.
Depois eles estiveram a distribuir cadernos aos miúdos todos e eles estavam tão agradecidos, tão genuinamente agradecidos... Também ofereceram uniformes aos miúdos orfãos porque muito não têm meios para os comprar. Foi só um dia incrível... Não tenho palavras suficientes para conseguir exprimir a minha felicidade quando "trabalho" com eles.
Acho mesmo que o que vou ter mais saudades é daquela sensação de acordar de manhã, cansada mas ansiosa por ir trabalhar e ir fazer algo que realmente me faz feliz, é uma sensação que desconhecia até agora... Não quero deixar isto, este sítios, estas crianças, estas pessoas, esta sensação, não quero mesmo, mas infelizmente já falta mesmo muito pouco...














quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Day 41 and 42

Peço imensa desculpa estar a falhar com as postagens mas ando tão cansada que quando chego ao fim do dia só quero dormir.
Esta contagem decrescente está a começar a intensificar-se... Não sei se estou contente ou triste por isto estar a acabar: por um lado tenho saudades de casa, de Portugal, principalmente da família e dos amigos, e está aí um Paredes de Coura à porta para o qual estou mesmo ansiosa. Mas por outro lado, já criei algumas raízes aqui, as pessoas, as crianças, esta rotina de ir todos os dias fazer algo que me dá mesmo gosto fazer (não aquela rotina aborrecida de que toda a gente se cansa facilmente e de que está farta), algo que me apaixona com pessoas que me apaixonam, não há sensação comparável, não que tenha sentido até agora na minha vida pelo menos. Deixar isto para trás vai ser não só difícil mas estranho, deixar esta vida, porque juro que aqui, a fazer isto, sou genuinamente feliz!
Ontem fui para a escola e estive a passar tempo com os miúdos sendo que as aulas já acabaram estive só a fazer um jogos com eles, nada demais, mas é sempre melhor que nada. 
Hoje fui para lá e estive com eles algum tempo, a conversar... Estavam imensos pais porque era dia de ir buscar as notas dos exames e alguns deles até se safaram bem. Isto é super importante principalmente para os que vão para o secundário porque define a facilidade de acesso às escolas, principalmente a nível monetário porque se tiverem boas notas é mais fácil terem apoio financeiro.
Cada vez penso mais em pagar o secundário ao Victor... Não sei se lembram de eu falar dele mas é o miúdo que me levou a visitar a casa dele. Teve um resultado de 260/500 (que não é mau) mas mesmo assim vai precisar de dinheiro para pagar o secundário e seria um privilégio para mim poder oferecer-lhe isso porque merece. O miúdo é tão trabalhador, educado, esforçado e ambicioso que só dá mesmo vontade de o ajudar e sei que o faria tão mas tão feliz que vale a pena só por isso.
Hoje na conversa também falei com um miúdo que muito naturalmente me diz "eu não tenho pais, moro com os meus tios" e fiquei boquiaberta. A naturalidade e simplicidade com que ele disse aquilo partiu-me o coração, como se fosse algo tão natural e normal, mas é o normal dele provavelmente, a realidade dele e a de muitos miúdos. Quando lhe disse que também perdi o meu pai a reação dele foi incomparável, como se tivesse pensado "engraçado, ela também tem problemas parecidos com os meus", senti que se identificou e que lhe abriu os olhos para o facto de haver pessoas, mesmo nós, mzungus, europeus, tão longe deles e tão bem financeiramente também nos deparamos com problemas assim...
Depois da escola vim para casa onde passei a tarde a descansar e fomos jantar a um restaurante ao qual já tinha ido com comida da Etiópia. Foi delicioso, barato, tudo que há de bom.
Deixo-vos com umas poucas fotos de hoje, porque em vez de tirar fotos estive mais a ensinar-lhes a tirar fotos que eles adoram...




terça-feira, 4 de agosto de 2015

Day 36 to 40 - Mombasa

Então na quarta-feira à noite fomos arrancamos para Mombasa, fomos 11 pessoas para lá. A viagem era supostamente de 8 horas mas acabou por ser de 12 horas porque a polícia corrupta cortou as estradas para tentar pedir dinheiro, então tivemos 3 horas parados na estrada a ver o sol nascer.
Quando finalmente chegamos a Mombasa eu estava exausta porque não consegui dormir nada no caminho, estava cheia de fome então paramos num restaurante para comer qualquer coisa.
O tempo em Mombasa estava tão quente, finalmente senti-me no verão. Andamos cerca de meia hora até apanhar o Ferry para o outro lado. No Ferry tiramos algumas fotos e pelos vistos era proibido então mais uma vez os seguranças tentaram fazer dinheiro à pala deste incidente. Do outro lado apanhamos um Matatu até Diani Beach, mais especificamente para o hostel, South Coast Backpackers (que recomendo imenso a qualquer pessoa que vá para aquela zona).
O Hostel era só incrível, o nosso quarto tinha uma arvore no meio, aquilo tinha piscina, cadeiras para apanhar sol, camas de rede, um bar ali ao pé, as pessoas eram muito simpáticas, conheci tantas pessoas incríveis nestes dias com histórias tão diferentes que saí de lá com ainda mais vontade de viajar e aventurar-me pelo mundo.
Nesse dia eu e a Mariana ficamos pela piscina porque precisava de descansar um bocado, estivemos na conversa com um rapaz americano com origens quenianas muito simpático (toda a gente falava com toda a gente, é algo que devíamos fazer mais porque é incrível ouvir algumas histórias).
No segundo dia fomos de manhã cedo fazer mergulho superficial, andamos nuns barquinhos até uma ilha onde se pode ver peixes mesmo lindos, andamos por lá a nadar, alimentar os peixes, encontramos imensas estrelas do mar, aquilo era tão paradisíaco, não sei como não há mais pessoas a falar e querer ir lá. Almoçamos num restaurante de marisco onde finalmente pude comer peixe e lulas e estivemos na conversa. Depois acabei por ir para a piscina porque a maré subiu e fez desaparecer o areal e também tinha de ir para casa para tirar as tranças (mil lágrimas, mas estavam a ficar tão feias por causa da água).
No terceiro dia fizemos um pouco de praia de manhã mas o tempo não estava grande coisa, acabamos por ir para o hotel e de tarde fomos ver o pôr-do-sol numa montanha com uma vista linda.
A noite lá também é porreira, muitas discotecas a beira do mar, podíamos dançar literalmente na água ou no areal...
Adorei Mombasa, muito honestamente, já merecia umas férias de VERÃO, nem que tivessem sido só estes poucos dias. Na segunda regressamos para voltar ao trabalho, com uma casa mais vazia porque perdemos 5 pessoas mas agora vieram também mais 3 por isso andamos neste vai e vem de gente que também faz parte da experiência.
Deixo-vos com algumas fotos do pequeno paraíso...










segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Day 35 - Global Village

JAMBO EVERYONE!
Voltei agora de Mombasa e peço imensa desculpa pela ausência. Mas antes de ir para lá, tivemos um dia de partilha de cultura com as várias AIESEC's e é isso que vos trago hoje.
Então na quarta passei a manhã a preparar as coisas para Mombasa para de tarde poder ir a este evento. O objetivo era claro, partilhar as diferentes culturas mas principalmente, na minha opinião, conviver com os outros estagiários e com os membros da AIESEC.
Este dia correspondeu também à despedida da Susie, Krystal, Qiqi, Sabre e Laura. ou seja, foi um dia super emocional porque perdemos 5 pessoas cá de casa de uma só vez.
Durante o dia conheci muitas pessoas, finalmente encontrei a Kelly que também está cá mas através de uma AIESEC diferente, apresentamos o nosso país, brincamos, dançamos, comemos, foi incrível.
No fim chorei muito, as despedidas são só a pior coisa por aqui. Nunca gostei de despedidas, e aqui ainda parece mais difícil porque partilhei tanto com estas pessoas que acabaram por se tornar numa pequena família, e marcam-nos, mas melhor ainda é perceber que eu marquei pessoas também que é algo de que não se tem muita noção acho eu... Saber que tive um papel especial nesta jornada para alguém é um sentimento um bocado novo para mim. Sempre dei valor às pessoas que me marcam mas nunca parei para pensar um bocadinho que também eu desempenhei esse papel para estas pessoas e isso deixa-me muito contente mesmo.
Depois conto a experiência de Mombasa mas para já é só isto... Ficam algumas fotos de quarta-feira para vocês.







terça-feira, 28 de julho de 2015

Day 33 and 34

Mais uma vez desculpem a ausência, mas segunda-feira estive meia doente por isso fiquei o dia todo em casa por isso não há muito para falar.
Hoje fui ao projeto de manhã e acabamos de pintar as paredes, só falta pintar os rodapés e a pintura principal está tratada! É bom ver as coisas a avançar, só é pena eu estar tão sozinha para ver o processo sendo que todos que estão comigo no programa já foram embora e uma vai embora quinta (mil lágrimas, literalmente) mas continuo a informá-los sobre o que se passa por aqui porque sei que isto é tão meu como deles, sendo que eles também trabalharam antes de ir apesar de ser um "trabalho invisível".
Estive também na escola com alguns dos miúdos, estavam todos a ter exames hoje mas estavam tão contentes por nos verem que vale sempre a pena mesmo que tenhamos estado com eles por meros minutos. Umas miúdas vieram ter connosco depois do exame e estivemos a conversar e dançar com ela.
A sensação de entrar naquela sala de aula e estar tão vazia foi mesmo dolorosa, e sim, voltei a chorar (tenho de começar a controlar isto que está a ficar assustador) mas entrar ali e não ter nada, nem alunos, nem os meus mosqueteiros, não faz sentido. Fala-se muito em ter impacto quando se faz uma coisa destas, queremos ter impacto na vida dos miúdos, mas nunca fazemos ideia do impacto que não só os miúdos têm em nós mas, para mim, o impacto que os meus companheiros nesta jornada tiveram em mim. Não há maneira de explicar o impacto profundo que eles tiveram e o quão próximo sou de pessoas que conheci há 5 semanas atrás. Odeio ser lamechas, tento não o ser, mas têm-me custado tanto mas tanto estar aqui sem eles que nem consigo explicar. Eles eram literalmente as pessoas com quem partilhava tudo aqui, eram como irmãos, e de repente desaparecem. A Laura também vai embora na quinta... Se não fosse a Mariana, acho que ficava mesmo sozinha nesta casa, criam-se ligações mesmo fortes com as pessoas e perde-se a noção que isto é suposto durar só uns dias, mas o impacto vai durar bem mais que isso.
Desculpem o sentimentalismo, mas estou genuinamente triste por saber que não vou poder estar com estas pessoas todos os dias...
Tenho também a informar que parto amanhã para Mombasa por isso vou estar ausente até domingo, peço imensa desculpa mas não há nada a fazer.
Mil kisses da vossa Daisy

domingo, 26 de julho de 2015

Day 31 and 32

Desculpem não ter postado mas tem sido um fim-de-semana emocionalmente esgotante.
No sábado estive no chill durante o dia. A Mariana quis desfazer as tranças por isso estivemos a tratar disso que durou horas antes de irmos sair. Fomos a uma discoteca um bocado estranha mas a nível de música era melhor do que da última vez. Passavam música do tipo das nossas discotecas e também africana e foi super giro porque as raparigas ensinavam-nos as coreografias e assim e toda à gente era super simpática para nós.
Hoje foi só esgotante, todas nós estávamos cansadas, mas por falta de comida fui eu, a Mariana e a Luziane até ao centro comercial para ter alguma comida a sério. Quando voltamos estivemos no chill com o Salih porque ele foi embora há umas horas (sim, são 6h da manhã neste momento e eu sem dormir). Tivemos a tarde toda a conversar e mais conversar porque sabíamos bem que o tempo estava a acabar. Quando ele foi dormir eu e Mariana decidimos fazer uma espera para ele não estar sozinho ao ir embora.
Quando ele chegou a cozinha lá apareci eu tipo "surpresa, estamos acordadas só para te fazer companhia antes de ires" e eu sei que ele adorou. Adoro este gajo, e ainda nem acredito que fiquei sem os meus dois "irmãos" desta casa no espaço de três dias. Agora antes de ir despedido-mo-nos dele e foi só triste a quantidade de lágrimas derramadas pelas duas tugas. Só triste! Choramos tanto, tanto, tanto... A sério, de todas as experiências de que ouvi falar não sei como nunca ninguém mencionou esta parte que é provavelmente a mais dolorosa. Estas pessoas não são só pessoas, são literalmente a tua família enquanto estás aqui, e o Salih era como um irmão que tinha nesta casa, eles são grande parte desta experiência, e há pessoas com quem crias laços estupidamente fortes e esta era claramente uma dessas situações...
Agora são seis da manhã e estou eu e a Mariana acordadas a deprimir com a ida dele, mas pronto, isto continua. Daisy's out.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Day 30

Finalmente COMEÇAMOS A PINTAR A BIBLIOTECA! Desculpem o meu entusiasmo mas estava a sentir que isto não ia andar para a frente e finalmente há um pequeno desenvolvimento. Sinto um bocado de a biblioteca vai ser o meu bebé porque os do meu projeto vão-se todos embora por isso sou basicamente eu que vou ficar encarregue por fazer tudo. Tenho basicamente duas semanas para fazer tudo sozinha, mas mesmo que não consiga espero deixar legado para outros que venham depois de mim conseguirem continuar o trabalho.
Conseguimos arranjar a tinta de graça através de uma igreja quer ajudar. Mas continuamos a precisar de dinheiro para isto e sinto que vou ter de usar a minha conta pessoal para o conseguir. Estas burocracias e preguiça é algo ao qual nunca me vou habituar. Complicam tanto algo que é incrivelmente simples que irrita, mas não é só nisto, é em tudo.
Os miúdos que passavam e o olhar de espanto deles foi incrível. Nem sabiam para o que estamos a trabalhar mas só ver que alguém está a tentar fazer alguma coisa na escola é motivo de admiração para eles. Temos de vir nós dos quatro cantos do mundo para fazer alguma coisa aqui porque senão nunca acontece nada. Mas não me vou voltar a alongar sobre estes professores e escolas porque a raiva é tanta que podia voltar a estar aqui a falar disto durante algum tempo.
Depois da escola fui comprar comida porque hoje fizemos todos alguma coisa para comer porque foi uma despedida. A minha primeira despedida a sério. Os meus mosqueteiros vão embora... É tão estúpido como ficas a conhecer pessoas e a habituar-te a certas pessoas tão rápido que já nem sei como vou aguentar esta casa sem aqueles gajos. É nós os três somos só épicos, já toda a gente aqui sabe quem somos e que temos a relação mais awkward de sempre, damo-nos tão bem que é estúpido e tinham de ser logo os dois primeiros a abandonar... Já me despedi de um deles, vai embora esta madrugada, dei numa de fixe a dizer umas últimas piadas porque tenho a mania que sou bué forte, sou horrível com despedidas, não sei como reagir simplesmente, mas na verdade estava tipo a chorar por dentro (e quase por fora). Quando o Salih se for embora no domingo sinto que vai ser mesmo doloroso! Já temos altas cenas combinadas, encontrar-mo-nos na Suécia, espero que não seja só a treta do momento mas que continuemos mesmo a falar. Não me parecia possível apegar-me tanto a estes gajos em 30 dias mas a verdade é que aconteceu tão naturalmente que já eram os meus irmãos nesta casa.,,
Enfim, vou aproveitar o dia para descansar amanhã! Espero conseguir e que este pessoal não faça muito barulho porque vamos sair à noite por isso preciso mesmo de dormir que vamos sair à noite...
Daisy's out!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Day 29

De manhã cedinho, como sempre, lá acordei eu para ir ao projeto (sim, cedinho para mim é 8:30, é triste mas pronto) e lá fomos nós para a escola.
Fizemos uns testes para ver se os miúdos conseguem soletrar e até correu bem para alguns miúdos. Outros ainda têm muita dificuldade a escrever inglês mas tenho esperança que melhorem graças a programas como aquele no qual trabalho. 
Numa das aulas perguntei às minhas meninas o que queriam ser o que queriam ser quando crescerem e duas queriam ser piloto de avião, uma advogada, uma médica e claro, uma presidente. Adoro ver como estes miúdos têm mil sonhos apesar das dificuldades que enfrentam todos os dias. Um dos estagiários uma vez perguntou a um dos miúdos o que queria ser quando crescesse, e ele respondeu "quero ser feliz". Não há resposta mais sincera que essa juro. Estes miúdos cada vez mais me conseguem surpreender.
Hoje também foi o último dia de um dos nossos por isso os miúdos disseram algumas palavras. Claro, ele não chorou mas eu tinha lágrimas nos olhos e nem quer era para mim. Os miúdos andam super queridos, uma disse-me que nunca tinha tido melhor professora que eu e estas coisas fazem-me mesmo feliz a sério. Andam aqueles professores ali todos os dias, com formação e oportunidade de fazer mesmo a diferença nos miúdos, é só quererem, mas em vez disso andam a fazer dinheiro à pala de miúdos pobres. É uma realidade mesmo triste.
Depois da escola fomos à cidade e claro que a porra do Matatu não nos deixou no sítio certo. Então tive de andar a procura do sítio, sem saber sequer o nome daquilo, mas como os tugas dizem e bem "quem tem boca vai a Roma" e lá consegui encontrar-me naquela cidade que é a coisa mais confusa do mundo, mas pronto, aprender a ser desenrascada faz muita falta.
Fomos ao cabeleireiro, onde passamos praticamente 4 horas e sai de lá um tanto satisfeita com o resultado mas com umas dores. Pessoal, valorizem o cabelo que têm porque sinceramente ter de fazer isto todos os meses é umas dores que não estão bem a perceber. Já me disseram que pareço desde o Bob Marley à Alicia Keys por isso estou um bocado confusa...
Em outras novidades, o Obama vem cá amanhã então isto está um caos. Para além do facto de toda a gente na rua hoje ter-me dito "O Obama vem cá" e eu tipo "Ok, mas sou portuguesa, branca mas não americana"... Conclusão: amanhã as estradas estão todas cortadas, os bancos fecham, os voos cancelados, é um acontecimento milenar esta vinda. Não falam de outra coisa na televisão, jornais, placars gigantes a dizer "Welcome Home Obama", é muito entusiasmo com esta vinda.
Enfim, como eu não tenho a vida do Obama amanhã vou só à escola ter o meu pequeno impacto naqueles miúdos que já não é mau...

 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Day 28

Hoje fomos todos ao projeto e finalmente levei umas coisas que comprei em Portugal, canetas, lápis, marcadores, lápis de cor, etc... Também compramos umas bolachas e doces para dar ao miúdos hoje sendo que os três que estão comigo no projeto vão embora dentro de pouco tempo e eu ainda não sei se fico na escola ou se mudo de projeto.
Então a aula foi escrever bilhetes para os professores e andei a oferecer as canetas, lápis e canetas ao miúdos. A gratidão deles por receber estas coisas que todos temos foi só incrível. Perguntavam "Podemos ficar com as canetas para nós?" como se fosse a coisa mais incrível de sempre. Estive também a oferecer autocolantes com borboletas e animais aos miúdos, que era suposto serem para eles guardarem mas todos os usaram para as cartas que nos escreveram. Eu estava quase a pedir-lhes por favor para não os usar porque queria que fosse para eles e eles respondiam que nos queriam fazer cartas e desenhos bonitos por isso queriam usá-los connosco.
As cartas dos miúdos são incríveis. Adoro a maneira como não fazem ideia de como se escreve o meu nome, as cartas estão cheias de erros ortográficos mas o que está lá é que é incrível: agradecimento por os termos ensinados, uma disse que me adorava porque quando estava triste vinha para a aula e eu trazia-lhe felicidade, outro diz que fala de mim aos amigos todos porque sou incrível, muitos diziam que nunca vão esquecer o que lhes ensinei, mas que também aprenderam a respeitar-se mais, várias agradeceram-me por lhes ensinar a tirar fotos... A sério, chorei literalmente a ler aquelas cartas e o sentimento de gratidão de que falava ontem está só a crescer a cada dia neste país. Eles são tão genuínos que enche o coração a qualquer pessoa.
Quem me dera dar o mundo aqueles miúdos, dar-lhes todas as oportunidades que eles merecem, porque merecem mesmo. Merecem ser aquilo que ambicionam, merecem ter oportunidades iguais às que eu tive e de que tanto me queixo às vezes. Merecem chegar ao fim do dia e ter uma refeição e o seu próprio espaço com um livro para ler. Merecem tudo, absolutamente tudo! Gostava que mais pessoas pudessem ver por uma hora o que eu tinha visto todos os dias porque acredito que seria suficiente para convencer qualquer um a ajudar só um bocadinho.
Depois da escola vim para casa, descansei e ao fim da tarde fomos jantar a um restaurante brasileiro onde comi o melhor rodízio de carnes de sempre. Comi crocodilo outra vez e desta vez estava mesmo bom, comi salada... SALADA! Nunca pensei ter tantas saudades de uma simples salada a sério.
Agora vou deitar-me que já se faz tarde, ficam aqui umas fotos que tirei hoje pela escola.







terça-feira, 21 de julho de 2015

Day 27

Hoje fui para o projeto só com a Laura. Nunca tinha ido para escola de forma independente nem sabia se sabia bem o caminho mas conseguimos ir e voltar sem problemas por isso fiquei super orgulhosa de mim.
A ida para à escola encontramos um dos miúdos que vai às nossas aulas, o Anthon, e perguntei-lhe porque não estava na escola ao que ele responde "não paguei a fee e se for para a escola os professores batem-me"... O meu coração parou simplesmente. A escola primária, nas escolas públicas, é supostamente de graça. Os professores é que têm a frieza de pedir dinheiro (ou seja, recebem do governo e anda querem mais) e batem nos miúdos que não pagarem, não os deixando ir à escola. Quem é que consegue olhar para miúdos, pobres, e ter a lata de lhes pedir dinheiro para o seu próprio benefício? QUEM? Não me cabe na cabeça juro. Fui então falar com um dos professores voluntários do projeto que disse que não podia fazer nada, faz-me sentir tão impotente face a algumas situações que nem consigo descrever. O pior é que toda à gente sabe o que se passa mas ninguém faz nada para mudar isto.
Durante as aulas os miúdos estiveram a escrever-nos cartas de despedidas. Não, não me vou já embora, mas esta semana começam os exames deles e o projeto acaba sendo que se calhar vou ter mudar para outra escola. Estou a tentar tudo para não o fazer porque a verdade é que adoro estes miúdos e sinto que ainda os posso ajudar em muito, por isso vou tentar falar com a escola para ir dar aulas aos que têm mais dificuldades em privado.
Não chorei com muito esforço, uma miúda disse-me quase a chorar "não consigo imaginar esta escola sem ti", outra pediu-me para a levar comigo, outra diz que quando me casar quer ir ao meu casamento... Estes miúdos fazem-me tão, mas tão feliz que não são suficientes as palavras para o descrever. Eu sei que é muito giro as fotos que tiro, com eles todos animados e sorridentes, mas são sorrisos que escondem muita dificuldade. A maioria deles moram em favelas, só com o pai a trabalhar a ganhar pouco para sustentar 5 ou 6 filhos na escola. Só têm acesso a bolsas para o secundário se tiverem média para tal nos exames se não têm de pagar cerca de 4500 euros para conseguirem ter o secundário. É mais do que o que eu pago em propinas numa licenciatura e este é o valor médio sendo que há escolas melhores e mais caras e outras mais baratas mas de pouca qualidade. Olhando para estes miúdos cheios de vontade de viver, e aprender, cheios de sonhos e esperanças faz-me mesmo pensar na sorte que tenho por ter uma vida tão privilegiada. Um direito tão básico como educação, ou pegar num livro e conseguir ler não é garantido em todo lado, e sei que se toda gente no mundo parasse para ver o que acontece no resto do mundo e partilhasse um pouco desse privilégio milhares de crianças poderiam ter acesso a algo tão básico como o ensino secundário.
Depois das aulas estivemos ainda a brincar um bocado com os miúdos e acabamos por ir embora. À ida para apanhar o Matatu a Laura foi atacada por um peru e foi só a cena mais hilariante do século. Ela achava que conseguia comunicar com o peru e ele começou a correr atrás dela, tiveram de vir uns senhores prestáveis para a ajudar que eu não conseguia de tanto chorar a rir.
De tarde fomos à cidade para comprar lembranças para à família, amigos e para mim também e adorei porque era tudo super barato. Fomos jantar pizza (que hoje a comida era chapati e feijão, alguém me ajude que eu vou engordar de uma forma estúpida neste país) e fomos para casa onde tive no chill até agora com a minha Marianinha na varanda a ouvir música e conversar. Uma tuga em casa fazia-me tanta falta que é quase estúpido, é como ter um pedaço de casa neste país.
Foi um dia em cheio e cada vez mais gosto de estar aqui, tenho saudades de casa, mas fazia disto vida se pudesse... Ajudar alguém, ensinar alguém, criar oportunidades para alguém é só a sensação mais incrível que já tive em toda a minha vida. Hoje só me sinto grata. Grata por ter a vida que tenho e grata por poder estar aqui a ajudar quem precisa. Só grata...








segunda-feira, 20 de julho de 2015

Day 26

Hoje acordei às 8:30 como sempre para ir para a escola. Tomei o pequeno almoço, arranjei-me e lá fui eu para a escola como todos os dias.
Quando chegamos à escola não tínhamos a chave para entrar na sala por isso tivemos com os miúdos cá fora a dançar, brincar até que fomos fazer um jogos mais didáticos. Entretanto chegou a pessoa encarregue de abrir a sala e começamos a verdadeira aula. Os miúdos contaram o fim-de-semana deles habitual: brincaram, estudaram para os exames, jogaram futebol, foram a casa de algum familiar, cozinharam e ajudaram os pais com as tarefas de casa, foram à missa e uma das miúdas esteve em casa doente com malaria. Um dos miúdos também esteve a contar que foi ao mercado às compras e assistiu a uma luta entre duas pessoas por dinheiro que acabou em garrafas partidas e porrada da séria (é este o ambiente com que os miúdos têm de viver todos os dias).
Antes da segunda aula estive entrei a meio de uma conversa que uns miúdos estava a ter e estava a dizer que ter tatuagens é pecado e teimou que diz na bíblia que é mesmo. Dá mesmo para perceber a sociedade conservadora que existe aqui onde se mistura a religião com tudo o resto e a maneira formatada como tentam ensinar os miúdos relativamente a tudo isto. Para ele eu era uma pecadora porque tinha tatuagens e disse que preferia cortar a cabeça do que ter tatuagens (porque cortar a cabeça é na boa, mas ter tatuagens não). Quando eu lhe disse que não era religiosa ele ficou muito chocado, teimava que todas as religiões acreditavam num mesmo Deus mas que tinha nomes diferentes. Eu disse-lhe que não acreditava mas que respeitava toda a gente, e que respeitava aquilo que ele acredita e que ele também tinha de me respeitar a mim ao que ele muito rápido respondeu "não respeito, não posso respeitar". Custa-me mesmo ver a maneira mecânica como estes miúdos vêm a religião e como são ensinados acerca de muita coisa a sério. Se há uma coisa que gostaria de fazer seria abrir um bocado a mente deles mas se calhar isso ainda era levado a mal aqui.
Depois disto ainda tivemos um bocado pela escola a brincar com os miúdos mas acabamos por ir embora.
Ao almoço tive batatas com arroz (claramente não é no Quénia que vou emagrecer) e ao jantar adivinhem o que tive? Batatas com arroz outra vez. Felizmente um dos manos aqui trouxe-me frango do KFC e acabei por cozer massa para alterar um bocado a minha dieta que podemos dizer que está bastante aborrecida.
Basicamente foi isto o meu dia, começo a sentir que me repito muito mas a verdade é que já criei a minha própria rotina aqui.
Beijinhos e abraços da vossa Daisy, deixo-vos algumas fotos de hoje!