Mais uma vez desculpem a ausência, mas segunda-feira estive meia doente por isso fiquei o dia todo em casa por isso não há muito para falar.
Hoje fui ao projeto de manhã e acabamos de pintar as paredes, só falta pintar os rodapés e a pintura principal está tratada! É bom ver as coisas a avançar, só é pena eu estar tão sozinha para ver o processo sendo que todos que estão comigo no programa já foram embora e uma vai embora quinta (mil lágrimas, literalmente) mas continuo a informá-los sobre o que se passa por aqui porque sei que isto é tão meu como deles, sendo que eles também trabalharam antes de ir apesar de ser um "trabalho invisível".
Estive também na escola com alguns dos miúdos, estavam todos a ter exames hoje mas estavam tão contentes por nos verem que vale sempre a pena mesmo que tenhamos estado com eles por meros minutos. Umas miúdas vieram ter connosco depois do exame e estivemos a conversar e dançar com ela.
A sensação de entrar naquela sala de aula e estar tão vazia foi mesmo dolorosa, e sim, voltei a chorar (tenho de começar a controlar isto que está a ficar assustador) mas entrar ali e não ter nada, nem alunos, nem os meus mosqueteiros, não faz sentido. Fala-se muito em ter impacto quando se faz uma coisa destas, queremos ter impacto na vida dos miúdos, mas nunca fazemos ideia do impacto que não só os miúdos têm em nós mas, para mim, o impacto que os meus companheiros nesta jornada tiveram em mim. Não há maneira de explicar o impacto profundo que eles tiveram e o quão próximo sou de pessoas que conheci há 5 semanas atrás. Odeio ser lamechas, tento não o ser, mas têm-me custado tanto mas tanto estar aqui sem eles que nem consigo explicar. Eles eram literalmente as pessoas com quem partilhava tudo aqui, eram como irmãos, e de repente desaparecem. A Laura também vai embora na quinta... Se não fosse a Mariana, acho que ficava mesmo sozinha nesta casa, criam-se ligações mesmo fortes com as pessoas e perde-se a noção que isto é suposto durar só uns dias, mas o impacto vai durar bem mais que isso.
Desculpem o sentimentalismo, mas estou genuinamente triste por saber que não vou poder estar com estas pessoas todos os dias...
Tenho também a informar que parto amanhã para Mombasa por isso vou estar ausente até domingo, peço imensa desculpa mas não há nada a fazer.
Mil kisses da vossa Daisy
O meu nome é Margarida Martins, tenho 21 anos, e estou aqui para poder partilhar a minha experiência de voluntariado em Nairobi, no Quénia.
terça-feira, 28 de julho de 2015
domingo, 26 de julho de 2015
Day 31 and 32
Desculpem não ter postado mas tem sido um fim-de-semana emocionalmente esgotante.
No sábado estive no chill durante o dia. A Mariana quis desfazer as tranças por isso estivemos a tratar disso que durou horas antes de irmos sair. Fomos a uma discoteca um bocado estranha mas a nível de música era melhor do que da última vez. Passavam música do tipo das nossas discotecas e também africana e foi super giro porque as raparigas ensinavam-nos as coreografias e assim e toda à gente era super simpática para nós.
Hoje foi só esgotante, todas nós estávamos cansadas, mas por falta de comida fui eu, a Mariana e a Luziane até ao centro comercial para ter alguma comida a sério. Quando voltamos estivemos no chill com o Salih porque ele foi embora há umas horas (sim, são 6h da manhã neste momento e eu sem dormir). Tivemos a tarde toda a conversar e mais conversar porque sabíamos bem que o tempo estava a acabar. Quando ele foi dormir eu e Mariana decidimos fazer uma espera para ele não estar sozinho ao ir embora.
Quando ele chegou a cozinha lá apareci eu tipo "surpresa, estamos acordadas só para te fazer companhia antes de ires" e eu sei que ele adorou. Adoro este gajo, e ainda nem acredito que fiquei sem os meus dois "irmãos" desta casa no espaço de três dias. Agora antes de ir despedido-mo-nos dele e foi só triste a quantidade de lágrimas derramadas pelas duas tugas. Só triste! Choramos tanto, tanto, tanto... A sério, de todas as experiências de que ouvi falar não sei como nunca ninguém mencionou esta parte que é provavelmente a mais dolorosa. Estas pessoas não são só pessoas, são literalmente a tua família enquanto estás aqui, e o Salih era como um irmão que tinha nesta casa, eles são grande parte desta experiência, e há pessoas com quem crias laços estupidamente fortes e esta era claramente uma dessas situações...
Agora são seis da manhã e estou eu e a Mariana acordadas a deprimir com a ida dele, mas pronto, isto continua. Daisy's out.
No sábado estive no chill durante o dia. A Mariana quis desfazer as tranças por isso estivemos a tratar disso que durou horas antes de irmos sair. Fomos a uma discoteca um bocado estranha mas a nível de música era melhor do que da última vez. Passavam música do tipo das nossas discotecas e também africana e foi super giro porque as raparigas ensinavam-nos as coreografias e assim e toda à gente era super simpática para nós.
Hoje foi só esgotante, todas nós estávamos cansadas, mas por falta de comida fui eu, a Mariana e a Luziane até ao centro comercial para ter alguma comida a sério. Quando voltamos estivemos no chill com o Salih porque ele foi embora há umas horas (sim, são 6h da manhã neste momento e eu sem dormir). Tivemos a tarde toda a conversar e mais conversar porque sabíamos bem que o tempo estava a acabar. Quando ele foi dormir eu e Mariana decidimos fazer uma espera para ele não estar sozinho ao ir embora.
Quando ele chegou a cozinha lá apareci eu tipo "surpresa, estamos acordadas só para te fazer companhia antes de ires" e eu sei que ele adorou. Adoro este gajo, e ainda nem acredito que fiquei sem os meus dois "irmãos" desta casa no espaço de três dias. Agora antes de ir despedido-mo-nos dele e foi só triste a quantidade de lágrimas derramadas pelas duas tugas. Só triste! Choramos tanto, tanto, tanto... A sério, de todas as experiências de que ouvi falar não sei como nunca ninguém mencionou esta parte que é provavelmente a mais dolorosa. Estas pessoas não são só pessoas, são literalmente a tua família enquanto estás aqui, e o Salih era como um irmão que tinha nesta casa, eles são grande parte desta experiência, e há pessoas com quem crias laços estupidamente fortes e esta era claramente uma dessas situações...
Agora são seis da manhã e estou eu e a Mariana acordadas a deprimir com a ida dele, mas pronto, isto continua. Daisy's out.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Day 30
Finalmente COMEÇAMOS A PINTAR A BIBLIOTECA! Desculpem o meu entusiasmo mas estava a sentir que isto não ia andar para a frente e finalmente há um pequeno desenvolvimento. Sinto um bocado de a biblioteca vai ser o meu bebé porque os do meu projeto vão-se todos embora por isso sou basicamente eu que vou ficar encarregue por fazer tudo. Tenho basicamente duas semanas para fazer tudo sozinha, mas mesmo que não consiga espero deixar legado para outros que venham depois de mim conseguirem continuar o trabalho.
Conseguimos arranjar a tinta de graça através de uma igreja quer ajudar. Mas continuamos a precisar de dinheiro para isto e sinto que vou ter de usar a minha conta pessoal para o conseguir. Estas burocracias e preguiça é algo ao qual nunca me vou habituar. Complicam tanto algo que é incrivelmente simples que irrita, mas não é só nisto, é em tudo.
Conseguimos arranjar a tinta de graça através de uma igreja quer ajudar. Mas continuamos a precisar de dinheiro para isto e sinto que vou ter de usar a minha conta pessoal para o conseguir. Estas burocracias e preguiça é algo ao qual nunca me vou habituar. Complicam tanto algo que é incrivelmente simples que irrita, mas não é só nisto, é em tudo.
Os miúdos que passavam e o olhar de espanto deles foi incrível. Nem sabiam para o que estamos a trabalhar mas só ver que alguém está a tentar fazer alguma coisa na escola é motivo de admiração para eles. Temos de vir nós dos quatro cantos do mundo para fazer alguma coisa aqui porque senão nunca acontece nada. Mas não me vou voltar a alongar sobre estes professores e escolas porque a raiva é tanta que podia voltar a estar aqui a falar disto durante algum tempo.
Depois da escola fui comprar comida porque hoje fizemos todos alguma coisa para comer porque foi uma despedida. A minha primeira despedida a sério. Os meus mosqueteiros vão embora... É tão estúpido como ficas a conhecer pessoas e a habituar-te a certas pessoas tão rápido que já nem sei como vou aguentar esta casa sem aqueles gajos. É nós os três somos só épicos, já toda a gente aqui sabe quem somos e que temos a relação mais awkward de sempre, damo-nos tão bem que é estúpido e tinham de ser logo os dois primeiros a abandonar... Já me despedi de um deles, vai embora esta madrugada, dei numa de fixe a dizer umas últimas piadas porque tenho a mania que sou bué forte, sou horrível com despedidas, não sei como reagir simplesmente, mas na verdade estava tipo a chorar por dentro (e quase por fora). Quando o Salih se for embora no domingo sinto que vai ser mesmo doloroso! Já temos altas cenas combinadas, encontrar-mo-nos na Suécia, espero que não seja só a treta do momento mas que continuemos mesmo a falar. Não me parecia possível apegar-me tanto a estes gajos em 30 dias mas a verdade é que aconteceu tão naturalmente que já eram os meus irmãos nesta casa.,,
Enfim, vou aproveitar o dia para descansar amanhã! Espero conseguir e que este pessoal não faça muito barulho porque vamos sair à noite por isso preciso mesmo de dormir que vamos sair à noite...
Daisy's out!
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Day 29
De manhã cedinho, como sempre, lá acordei eu para ir ao projeto (sim, cedinho para mim é 8:30, é triste mas pronto) e lá fomos nós para a escola.
Fizemos uns testes para ver se os miúdos conseguem soletrar e até correu bem para alguns miúdos. Outros ainda têm muita dificuldade a escrever inglês mas tenho esperança que melhorem graças a programas como aquele no qual trabalho.
Numa das aulas perguntei às minhas meninas o que queriam ser o que queriam ser quando crescerem e duas queriam ser piloto de avião, uma advogada, uma médica e claro, uma presidente. Adoro ver como estes miúdos têm mil sonhos apesar das dificuldades que enfrentam todos os dias. Um dos estagiários uma vez perguntou a um dos miúdos o que queria ser quando crescesse, e ele respondeu "quero ser feliz". Não há resposta mais sincera que essa juro. Estes miúdos cada vez mais me conseguem surpreender.
Hoje também foi o último dia de um dos nossos por isso os miúdos disseram algumas palavras. Claro, ele não chorou mas eu tinha lágrimas nos olhos e nem quer era para mim. Os miúdos andam super queridos, uma disse-me que nunca tinha tido melhor professora que eu e estas coisas fazem-me mesmo feliz a sério. Andam aqueles professores ali todos os dias, com formação e oportunidade de fazer mesmo a diferença nos miúdos, é só quererem, mas em vez disso andam a fazer dinheiro à pala de miúdos pobres. É uma realidade mesmo triste.
Hoje também foi o último dia de um dos nossos por isso os miúdos disseram algumas palavras. Claro, ele não chorou mas eu tinha lágrimas nos olhos e nem quer era para mim. Os miúdos andam super queridos, uma disse-me que nunca tinha tido melhor professora que eu e estas coisas fazem-me mesmo feliz a sério. Andam aqueles professores ali todos os dias, com formação e oportunidade de fazer mesmo a diferença nos miúdos, é só quererem, mas em vez disso andam a fazer dinheiro à pala de miúdos pobres. É uma realidade mesmo triste.
Depois da escola fomos à cidade e claro que a porra do Matatu não nos deixou no sítio certo. Então tive de andar a procura do sítio, sem saber sequer o nome daquilo, mas como os tugas dizem e bem "quem tem boca vai a Roma" e lá consegui encontrar-me naquela cidade que é a coisa mais confusa do mundo, mas pronto, aprender a ser desenrascada faz muita falta.
Fomos ao cabeleireiro, onde passamos praticamente 4 horas e sai de lá um tanto satisfeita com o resultado mas com umas dores. Pessoal, valorizem o cabelo que têm porque sinceramente ter de fazer isto todos os meses é umas dores que não estão bem a perceber. Já me disseram que pareço desde o Bob Marley à Alicia Keys por isso estou um bocado confusa...
Em outras novidades, o Obama vem cá amanhã então isto está um caos. Para além do facto de toda a gente na rua hoje ter-me dito "O Obama vem cá" e eu tipo "Ok, mas sou portuguesa, branca mas não americana"... Conclusão: amanhã as estradas estão todas cortadas, os bancos fecham, os voos cancelados, é um acontecimento milenar esta vinda. Não falam de outra coisa na televisão, jornais, placars gigantes a dizer "Welcome Home Obama", é muito entusiasmo com esta vinda.
Enfim, como eu não tenho a vida do Obama amanhã vou só à escola ter o meu pequeno impacto naqueles miúdos que já não é mau...
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Day 28
Hoje fomos todos ao projeto e finalmente levei umas coisas que comprei em Portugal, canetas, lápis, marcadores, lápis de cor, etc... Também compramos umas bolachas e doces para dar ao miúdos hoje sendo que os três que estão comigo no projeto vão embora dentro de pouco tempo e eu ainda não sei se fico na escola ou se mudo de projeto.
Então a aula foi escrever bilhetes para os professores e andei a oferecer as canetas, lápis e canetas ao miúdos. A gratidão deles por receber estas coisas que todos temos foi só incrível. Perguntavam "Podemos ficar com as canetas para nós?" como se fosse a coisa mais incrível de sempre. Estive também a oferecer autocolantes com borboletas e animais aos miúdos, que era suposto serem para eles guardarem mas todos os usaram para as cartas que nos escreveram. Eu estava quase a pedir-lhes por favor para não os usar porque queria que fosse para eles e eles respondiam que nos queriam fazer cartas e desenhos bonitos por isso queriam usá-los connosco.
As cartas dos miúdos são incríveis. Adoro a maneira como não fazem ideia de como se escreve o meu nome, as cartas estão cheias de erros ortográficos mas o que está lá é que é incrível: agradecimento por os termos ensinados, uma disse que me adorava porque quando estava triste vinha para a aula e eu trazia-lhe felicidade, outro diz que fala de mim aos amigos todos porque sou incrível, muitos diziam que nunca vão esquecer o que lhes ensinei, mas que também aprenderam a respeitar-se mais, várias agradeceram-me por lhes ensinar a tirar fotos... A sério, chorei literalmente a ler aquelas cartas e o sentimento de gratidão de que falava ontem está só a crescer a cada dia neste país. Eles são tão genuínos que enche o coração a qualquer pessoa.
Quem me dera dar o mundo aqueles miúdos, dar-lhes todas as oportunidades que eles merecem, porque merecem mesmo. Merecem ser aquilo que ambicionam, merecem ter oportunidades iguais às que eu tive e de que tanto me queixo às vezes. Merecem chegar ao fim do dia e ter uma refeição e o seu próprio espaço com um livro para ler. Merecem tudo, absolutamente tudo! Gostava que mais pessoas pudessem ver por uma hora o que eu tinha visto todos os dias porque acredito que seria suficiente para convencer qualquer um a ajudar só um bocadinho.
Depois da escola vim para casa, descansei e ao fim da tarde fomos jantar a um restaurante brasileiro onde comi o melhor rodízio de carnes de sempre. Comi crocodilo outra vez e desta vez estava mesmo bom, comi salada... SALADA! Nunca pensei ter tantas saudades de uma simples salada a sério.
Agora vou deitar-me que já se faz tarde, ficam aqui umas fotos que tirei hoje pela escola.
Então a aula foi escrever bilhetes para os professores e andei a oferecer as canetas, lápis e canetas ao miúdos. A gratidão deles por receber estas coisas que todos temos foi só incrível. Perguntavam "Podemos ficar com as canetas para nós?" como se fosse a coisa mais incrível de sempre. Estive também a oferecer autocolantes com borboletas e animais aos miúdos, que era suposto serem para eles guardarem mas todos os usaram para as cartas que nos escreveram. Eu estava quase a pedir-lhes por favor para não os usar porque queria que fosse para eles e eles respondiam que nos queriam fazer cartas e desenhos bonitos por isso queriam usá-los connosco.
As cartas dos miúdos são incríveis. Adoro a maneira como não fazem ideia de como se escreve o meu nome, as cartas estão cheias de erros ortográficos mas o que está lá é que é incrível: agradecimento por os termos ensinados, uma disse que me adorava porque quando estava triste vinha para a aula e eu trazia-lhe felicidade, outro diz que fala de mim aos amigos todos porque sou incrível, muitos diziam que nunca vão esquecer o que lhes ensinei, mas que também aprenderam a respeitar-se mais, várias agradeceram-me por lhes ensinar a tirar fotos... A sério, chorei literalmente a ler aquelas cartas e o sentimento de gratidão de que falava ontem está só a crescer a cada dia neste país. Eles são tão genuínos que enche o coração a qualquer pessoa.
Quem me dera dar o mundo aqueles miúdos, dar-lhes todas as oportunidades que eles merecem, porque merecem mesmo. Merecem ser aquilo que ambicionam, merecem ter oportunidades iguais às que eu tive e de que tanto me queixo às vezes. Merecem chegar ao fim do dia e ter uma refeição e o seu próprio espaço com um livro para ler. Merecem tudo, absolutamente tudo! Gostava que mais pessoas pudessem ver por uma hora o que eu tinha visto todos os dias porque acredito que seria suficiente para convencer qualquer um a ajudar só um bocadinho.
Depois da escola vim para casa, descansei e ao fim da tarde fomos jantar a um restaurante brasileiro onde comi o melhor rodízio de carnes de sempre. Comi crocodilo outra vez e desta vez estava mesmo bom, comi salada... SALADA! Nunca pensei ter tantas saudades de uma simples salada a sério.
Agora vou deitar-me que já se faz tarde, ficam aqui umas fotos que tirei hoje pela escola.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Day 27
Hoje fui para o projeto só com a Laura. Nunca tinha ido para escola de forma independente nem sabia se sabia bem o caminho mas conseguimos ir e voltar sem problemas por isso fiquei super orgulhosa de mim.
A ida para à escola encontramos um dos miúdos que vai às nossas aulas, o Anthon, e perguntei-lhe porque não estava na escola ao que ele responde "não paguei a fee e se for para a escola os professores batem-me"... O meu coração parou simplesmente. A escola primária, nas escolas públicas, é supostamente de graça. Os professores é que têm a frieza de pedir dinheiro (ou seja, recebem do governo e anda querem mais) e batem nos miúdos que não pagarem, não os deixando ir à escola. Quem é que consegue olhar para miúdos, pobres, e ter a lata de lhes pedir dinheiro para o seu próprio benefício? QUEM? Não me cabe na cabeça juro. Fui então falar com um dos professores voluntários do projeto que disse que não podia fazer nada, faz-me sentir tão impotente face a algumas situações que nem consigo descrever. O pior é que toda à gente sabe o que se passa mas ninguém faz nada para mudar isto.
Durante as aulas os miúdos estiveram a escrever-nos cartas de despedidas. Não, não me vou já embora, mas esta semana começam os exames deles e o projeto acaba sendo que se calhar vou ter mudar para outra escola. Estou a tentar tudo para não o fazer porque a verdade é que adoro estes miúdos e sinto que ainda os posso ajudar em muito, por isso vou tentar falar com a escola para ir dar aulas aos que têm mais dificuldades em privado.
Não chorei com muito esforço, uma miúda disse-me quase a chorar "não consigo imaginar esta escola sem ti", outra pediu-me para a levar comigo, outra diz que quando me casar quer ir ao meu casamento... Estes miúdos fazem-me tão, mas tão feliz que não são suficientes as palavras para o descrever. Eu sei que é muito giro as fotos que tiro, com eles todos animados e sorridentes, mas são sorrisos que escondem muita dificuldade. A maioria deles moram em favelas, só com o pai a trabalhar a ganhar pouco para sustentar 5 ou 6 filhos na escola. Só têm acesso a bolsas para o secundário se tiverem média para tal nos exames se não têm de pagar cerca de 4500 euros para conseguirem ter o secundário. É mais do que o que eu pago em propinas numa licenciatura e este é o valor médio sendo que há escolas melhores e mais caras e outras mais baratas mas de pouca qualidade. Olhando para estes miúdos cheios de vontade de viver, e aprender, cheios de sonhos e esperanças faz-me mesmo pensar na sorte que tenho por ter uma vida tão privilegiada. Um direito tão básico como educação, ou pegar num livro e conseguir ler não é garantido em todo lado, e sei que se toda gente no mundo parasse para ver o que acontece no resto do mundo e partilhasse um pouco desse privilégio milhares de crianças poderiam ter acesso a algo tão básico como o ensino secundário.
Depois das aulas estivemos ainda a brincar um bocado com os miúdos e acabamos por ir embora. À ida para apanhar o Matatu a Laura foi atacada por um peru e foi só a cena mais hilariante do século. Ela achava que conseguia comunicar com o peru e ele começou a correr atrás dela, tiveram de vir uns senhores prestáveis para a ajudar que eu não conseguia de tanto chorar a rir.
De tarde fomos à cidade para comprar lembranças para à família, amigos e para mim também e adorei porque era tudo super barato. Fomos jantar pizza (que hoje a comida era chapati e feijão, alguém me ajude que eu vou engordar de uma forma estúpida neste país) e fomos para casa onde tive no chill até agora com a minha Marianinha na varanda a ouvir música e conversar. Uma tuga em casa fazia-me tanta falta que é quase estúpido, é como ter um pedaço de casa neste país.
Foi um dia em cheio e cada vez mais gosto de estar aqui, tenho saudades de casa, mas fazia disto vida se pudesse... Ajudar alguém, ensinar alguém, criar oportunidades para alguém é só a sensação mais incrível que já tive em toda a minha vida. Hoje só me sinto grata. Grata por ter a vida que tenho e grata por poder estar aqui a ajudar quem precisa. Só grata...
A ida para à escola encontramos um dos miúdos que vai às nossas aulas, o Anthon, e perguntei-lhe porque não estava na escola ao que ele responde "não paguei a fee e se for para a escola os professores batem-me"... O meu coração parou simplesmente. A escola primária, nas escolas públicas, é supostamente de graça. Os professores é que têm a frieza de pedir dinheiro (ou seja, recebem do governo e anda querem mais) e batem nos miúdos que não pagarem, não os deixando ir à escola. Quem é que consegue olhar para miúdos, pobres, e ter a lata de lhes pedir dinheiro para o seu próprio benefício? QUEM? Não me cabe na cabeça juro. Fui então falar com um dos professores voluntários do projeto que disse que não podia fazer nada, faz-me sentir tão impotente face a algumas situações que nem consigo descrever. O pior é que toda à gente sabe o que se passa mas ninguém faz nada para mudar isto.
Durante as aulas os miúdos estiveram a escrever-nos cartas de despedidas. Não, não me vou já embora, mas esta semana começam os exames deles e o projeto acaba sendo que se calhar vou ter mudar para outra escola. Estou a tentar tudo para não o fazer porque a verdade é que adoro estes miúdos e sinto que ainda os posso ajudar em muito, por isso vou tentar falar com a escola para ir dar aulas aos que têm mais dificuldades em privado.
Não chorei com muito esforço, uma miúda disse-me quase a chorar "não consigo imaginar esta escola sem ti", outra pediu-me para a levar comigo, outra diz que quando me casar quer ir ao meu casamento... Estes miúdos fazem-me tão, mas tão feliz que não são suficientes as palavras para o descrever. Eu sei que é muito giro as fotos que tiro, com eles todos animados e sorridentes, mas são sorrisos que escondem muita dificuldade. A maioria deles moram em favelas, só com o pai a trabalhar a ganhar pouco para sustentar 5 ou 6 filhos na escola. Só têm acesso a bolsas para o secundário se tiverem média para tal nos exames se não têm de pagar cerca de 4500 euros para conseguirem ter o secundário. É mais do que o que eu pago em propinas numa licenciatura e este é o valor médio sendo que há escolas melhores e mais caras e outras mais baratas mas de pouca qualidade. Olhando para estes miúdos cheios de vontade de viver, e aprender, cheios de sonhos e esperanças faz-me mesmo pensar na sorte que tenho por ter uma vida tão privilegiada. Um direito tão básico como educação, ou pegar num livro e conseguir ler não é garantido em todo lado, e sei que se toda gente no mundo parasse para ver o que acontece no resto do mundo e partilhasse um pouco desse privilégio milhares de crianças poderiam ter acesso a algo tão básico como o ensino secundário.
Depois das aulas estivemos ainda a brincar um bocado com os miúdos e acabamos por ir embora. À ida para apanhar o Matatu a Laura foi atacada por um peru e foi só a cena mais hilariante do século. Ela achava que conseguia comunicar com o peru e ele começou a correr atrás dela, tiveram de vir uns senhores prestáveis para a ajudar que eu não conseguia de tanto chorar a rir.
De tarde fomos à cidade para comprar lembranças para à família, amigos e para mim também e adorei porque era tudo super barato. Fomos jantar pizza (que hoje a comida era chapati e feijão, alguém me ajude que eu vou engordar de uma forma estúpida neste país) e fomos para casa onde tive no chill até agora com a minha Marianinha na varanda a ouvir música e conversar. Uma tuga em casa fazia-me tanta falta que é quase estúpido, é como ter um pedaço de casa neste país.
Foi um dia em cheio e cada vez mais gosto de estar aqui, tenho saudades de casa, mas fazia disto vida se pudesse... Ajudar alguém, ensinar alguém, criar oportunidades para alguém é só a sensação mais incrível que já tive em toda a minha vida. Hoje só me sinto grata. Grata por ter a vida que tenho e grata por poder estar aqui a ajudar quem precisa. Só grata...
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Day 26
Hoje acordei às 8:30 como sempre para ir para a escola. Tomei o pequeno almoço, arranjei-me e lá fui eu para a escola como todos os dias.
Quando chegamos à escola não tínhamos a chave para entrar na sala por isso tivemos com os miúdos cá fora a dançar, brincar até que fomos fazer um jogos mais didáticos. Entretanto chegou a pessoa encarregue de abrir a sala e começamos a verdadeira aula. Os miúdos contaram o fim-de-semana deles habitual: brincaram, estudaram para os exames, jogaram futebol, foram a casa de algum familiar, cozinharam e ajudaram os pais com as tarefas de casa, foram à missa e uma das miúdas esteve em casa doente com malaria. Um dos miúdos também esteve a contar que foi ao mercado às compras e assistiu a uma luta entre duas pessoas por dinheiro que acabou em garrafas partidas e porrada da séria (é este o ambiente com que os miúdos têm de viver todos os dias).
Antes da segunda aula estive entrei a meio de uma conversa que uns miúdos estava a ter e estava a dizer que ter tatuagens é pecado e teimou que diz na bíblia que é mesmo. Dá mesmo para perceber a sociedade conservadora que existe aqui onde se mistura a religião com tudo o resto e a maneira formatada como tentam ensinar os miúdos relativamente a tudo isto. Para ele eu era uma pecadora porque tinha tatuagens e disse que preferia cortar a cabeça do que ter tatuagens (porque cortar a cabeça é na boa, mas ter tatuagens não). Quando eu lhe disse que não era religiosa ele ficou muito chocado, teimava que todas as religiões acreditavam num mesmo Deus mas que tinha nomes diferentes. Eu disse-lhe que não acreditava mas que respeitava toda a gente, e que respeitava aquilo que ele acredita e que ele também tinha de me respeitar a mim ao que ele muito rápido respondeu "não respeito, não posso respeitar". Custa-me mesmo ver a maneira mecânica como estes miúdos vêm a religião e como são ensinados acerca de muita coisa a sério. Se há uma coisa que gostaria de fazer seria abrir um bocado a mente deles mas se calhar isso ainda era levado a mal aqui.
Depois disto ainda tivemos um bocado pela escola a brincar com os miúdos mas acabamos por ir embora.
Ao almoço tive batatas com arroz (claramente não é no Quénia que vou emagrecer) e ao jantar adivinhem o que tive? Batatas com arroz outra vez. Felizmente um dos manos aqui trouxe-me frango do KFC e acabei por cozer massa para alterar um bocado a minha dieta que podemos dizer que está bastante aborrecida.
Basicamente foi isto o meu dia, começo a sentir que me repito muito mas a verdade é que já criei a minha própria rotina aqui.
Beijinhos e abraços da vossa Daisy, deixo-vos algumas fotos de hoje!
Quando chegamos à escola não tínhamos a chave para entrar na sala por isso tivemos com os miúdos cá fora a dançar, brincar até que fomos fazer um jogos mais didáticos. Entretanto chegou a pessoa encarregue de abrir a sala e começamos a verdadeira aula. Os miúdos contaram o fim-de-semana deles habitual: brincaram, estudaram para os exames, jogaram futebol, foram a casa de algum familiar, cozinharam e ajudaram os pais com as tarefas de casa, foram à missa e uma das miúdas esteve em casa doente com malaria. Um dos miúdos também esteve a contar que foi ao mercado às compras e assistiu a uma luta entre duas pessoas por dinheiro que acabou em garrafas partidas e porrada da séria (é este o ambiente com que os miúdos têm de viver todos os dias).
Antes da segunda aula estive entrei a meio de uma conversa que uns miúdos estava a ter e estava a dizer que ter tatuagens é pecado e teimou que diz na bíblia que é mesmo. Dá mesmo para perceber a sociedade conservadora que existe aqui onde se mistura a religião com tudo o resto e a maneira formatada como tentam ensinar os miúdos relativamente a tudo isto. Para ele eu era uma pecadora porque tinha tatuagens e disse que preferia cortar a cabeça do que ter tatuagens (porque cortar a cabeça é na boa, mas ter tatuagens não). Quando eu lhe disse que não era religiosa ele ficou muito chocado, teimava que todas as religiões acreditavam num mesmo Deus mas que tinha nomes diferentes. Eu disse-lhe que não acreditava mas que respeitava toda a gente, e que respeitava aquilo que ele acredita e que ele também tinha de me respeitar a mim ao que ele muito rápido respondeu "não respeito, não posso respeitar". Custa-me mesmo ver a maneira mecânica como estes miúdos vêm a religião e como são ensinados acerca de muita coisa a sério. Se há uma coisa que gostaria de fazer seria abrir um bocado a mente deles mas se calhar isso ainda era levado a mal aqui.
Depois disto ainda tivemos um bocado pela escola a brincar com os miúdos mas acabamos por ir embora.
Ao almoço tive batatas com arroz (claramente não é no Quénia que vou emagrecer) e ao jantar adivinhem o que tive? Batatas com arroz outra vez. Felizmente um dos manos aqui trouxe-me frango do KFC e acabei por cozer massa para alterar um bocado a minha dieta que podemos dizer que está bastante aborrecida.
Basicamente foi isto o meu dia, começo a sentir que me repito muito mas a verdade é que já criei a minha própria rotina aqui.
Beijinhos e abraços da vossa Daisy, deixo-vos algumas fotos de hoje!
Day 23, 24 and 25 - Masai Mara (Parte II)
Como disse anteriormente, tivemos de acordar super cedo no sábado para poder aproveitar a manhã. Acordamos às 6:30, sem eletricidade (que era das 5:30 às 6:30) e preparamo-nos para ir tomar o pequeno almoço. O pequeno almoço era delicioso, não que os meus padrões alimentares neste momento estejam muito elevados, mas as salsichas eram mesmo, mesmo, mesmo muito boas.
No fim do nosso pequeno almoço reforçado lá fomos nós a caça dos animais. Aquilo é literalmente andar no carro à procura de animais, e encontramos alguns. Vimos elefantes (os meus preferidos, adoro-os), girafas, leões, leopardos, hipopótamos, entre outros. Paramos algumas vezes para admirar a vista, ir à casa de banho, comprar umas lembranças, também paramos num sítio para almoçar, no meio do nada, e para conversar um bocado e combinar o que queríamos fazer.
Normalmente a grande migração dos animais da Tanzânia para o Quénia acontece no início de Julho mas este ano está um bocado atrasado (azar o nosso) mas pudemos assistir a uma cena incrível que era um conjunto de búfalos a atravessar um "rio" (estava seco) onde do nosso lado era Quénia e do lado de lá Tanzânia. Aquilo podia ter demorado dias a acontecer mas tivemos a grande sorte de os ver a atravessar de um país para o outro. Infelizmente não consegui ver o Big Five no safari, faltou o Rinoceronte que é muito difícil de encontrar porque estão em via de extinção.
Ao fim da tarde fomos visitar uma aldeia Masai onde a tribo nos recebeu muito bem. Era literalmente uma tribo. Ainda vivem em casas feitas de lama, são polígamos, nómadas, sendo que costumam morar no mesmo sítio cerca de 10 anos, e quando se acaba a água naquela zona mudam e reconstroem a sua aldeia outra vez, alimentam-se de carne de vaca e ovelha e de sangue e leite vaca, não comem vegetais porque os animais não deixam isso acontecer. Nesta tribo, para os rapazes se tornarem homens têm de caçar um leão e matá-lo e têm de o fazer cada vez que querem casar com uma mulher. É incrível ver, numa sociedade evoluída como a nossa, como ainda há tribos e pessoas que vivem de forma tão antiquada e paralela a vida das pessoas no geral. Adorei visitar e conhecer um pouco mais sobre a cultura deles.
Depois disto regressamos ao acampamento, jantamos, tomamos banho,jogamos UNO e fomo-nos deitar.
O céu estrelado daquele sítio é provavelmente a coisa mais bonita que já vi na minha vida e não estou a exagerar. Nunca vi um céu estrelado tão LINDO na minha vida. Quando ficávamos sem eletricidade lá ia eu para a rua ver as estrelas sozinha. Era incrível e é uma imagem que vou guardar para sempre!
No dia seguinte regressamos a Nairobi, muito cansados, e passei a tarde sem fazer nada (interessantíssimo da minha parte).
Deixo-vos com mais umas fotos giras que tirei no safari, espero que gostem!
No fim do nosso pequeno almoço reforçado lá fomos nós a caça dos animais. Aquilo é literalmente andar no carro à procura de animais, e encontramos alguns. Vimos elefantes (os meus preferidos, adoro-os), girafas, leões, leopardos, hipopótamos, entre outros. Paramos algumas vezes para admirar a vista, ir à casa de banho, comprar umas lembranças, também paramos num sítio para almoçar, no meio do nada, e para conversar um bocado e combinar o que queríamos fazer.
Normalmente a grande migração dos animais da Tanzânia para o Quénia acontece no início de Julho mas este ano está um bocado atrasado (azar o nosso) mas pudemos assistir a uma cena incrível que era um conjunto de búfalos a atravessar um "rio" (estava seco) onde do nosso lado era Quénia e do lado de lá Tanzânia. Aquilo podia ter demorado dias a acontecer mas tivemos a grande sorte de os ver a atravessar de um país para o outro. Infelizmente não consegui ver o Big Five no safari, faltou o Rinoceronte que é muito difícil de encontrar porque estão em via de extinção.
Ao fim da tarde fomos visitar uma aldeia Masai onde a tribo nos recebeu muito bem. Era literalmente uma tribo. Ainda vivem em casas feitas de lama, são polígamos, nómadas, sendo que costumam morar no mesmo sítio cerca de 10 anos, e quando se acaba a água naquela zona mudam e reconstroem a sua aldeia outra vez, alimentam-se de carne de vaca e ovelha e de sangue e leite vaca, não comem vegetais porque os animais não deixam isso acontecer. Nesta tribo, para os rapazes se tornarem homens têm de caçar um leão e matá-lo e têm de o fazer cada vez que querem casar com uma mulher. É incrível ver, numa sociedade evoluída como a nossa, como ainda há tribos e pessoas que vivem de forma tão antiquada e paralela a vida das pessoas no geral. Adorei visitar e conhecer um pouco mais sobre a cultura deles.
Depois disto regressamos ao acampamento, jantamos, tomamos banho,jogamos UNO e fomo-nos deitar.
O céu estrelado daquele sítio é provavelmente a coisa mais bonita que já vi na minha vida e não estou a exagerar. Nunca vi um céu estrelado tão LINDO na minha vida. Quando ficávamos sem eletricidade lá ia eu para a rua ver as estrelas sozinha. Era incrível e é uma imagem que vou guardar para sempre!
No dia seguinte regressamos a Nairobi, muito cansados, e passei a tarde sem fazer nada (interessantíssimo da minha parte).
Deixo-vos com mais umas fotos giras que tirei no safari, espero que gostem!
domingo, 19 de julho de 2015
Day 23, 24 and 25 - Masai Mara (Parte I)
Sexta-feira acordamos super cedo para estarmos prontos às 7:30 mas claro, Kenyan time, só saímos daqui ao 12:00. Foram três carros, dois com pessoas da nossa AIESEC e outro com as do outro comité e lá fomos nós até Masai Mara.
A viagem foi um bocado chata, paramos algumas vezes e a partir de um certo ponto já não era estrada mas sim terra batida (entramos em território masai) mas vez-se bem (com cinto de segurança ahah). A partir desse ponto a vista era incrível, vimos logo algumas girafas pelo caminho, vimos muitos Masais. Masai é uma das muitas tribos quenianas. Eles andam vestido com roupas características e a maioria andava com rebanhos, muitas crianças também a tomar conta dos rebanhos e de animais, é algo incrível de se ver. A maioria ia a dormir mas nem sabem o que perderam. Uma das minhas coisas preferidas é só admirar a vista, as pessoas que olham para nós ao passarem, alguns dizem-nos "Olá" mas lá para 17:00/17:30 lá chegamos nós e fomos logo bem recebidos pelos senhores Masais que lá estavam. Pegaram nas nossas coisas e deram-nos as informações necessárias em relação as tendas, eletricidade e água quente.
Ficamos alojados num acampamento com condições incríveis. Aquilo são tendas mas com eletricidade, camas, casa de banho, tudo que é necessário. Ainda nos ofereceram de comer apesar de já ser bastante tarde para o almoço, mas foram super prestáveis.
Pousamos as nossas coisas e fomos ainda cerca de uma hora e meia ao safari. Na entrada fomos bombardeados por senhoras da Tribo que vendem algumas lembranças e comprei algumas. Tive de usar as minhas técnicas de negociação para baixar os preços (no qual sou muito má) mas ainda consegui umas coisinhas por bons preços. Infelizmente, no safari não deu para muito devido ao limite de tempo que tínhamos nesse dia. Mesmo assim ainda vimos alguns animais e foi bom para termos um cheirinho do que ia ser o dia seguinte.
Jantamos, a comida era muito boa, tomamos um bom duche porque levamos com muita poeira e encontramo-nos numa da tenda com o resto do pessoal para jogar UNO enquanto tínhamos eletricidade (até às 22:30), e depois fomo-nos deitar que acordamos cedo no seguinte. Deixo essa parte para amanhã que estou um bocado cansada. Mas deixo-vos com algumas fotos desde já!
Mil kisses da vossa daisy!
A viagem foi um bocado chata, paramos algumas vezes e a partir de um certo ponto já não era estrada mas sim terra batida (entramos em território masai) mas vez-se bem (com cinto de segurança ahah). A partir desse ponto a vista era incrível, vimos logo algumas girafas pelo caminho, vimos muitos Masais. Masai é uma das muitas tribos quenianas. Eles andam vestido com roupas características e a maioria andava com rebanhos, muitas crianças também a tomar conta dos rebanhos e de animais, é algo incrível de se ver. A maioria ia a dormir mas nem sabem o que perderam. Uma das minhas coisas preferidas é só admirar a vista, as pessoas que olham para nós ao passarem, alguns dizem-nos "Olá" mas lá para 17:00/17:30 lá chegamos nós e fomos logo bem recebidos pelos senhores Masais que lá estavam. Pegaram nas nossas coisas e deram-nos as informações necessárias em relação as tendas, eletricidade e água quente.
Ficamos alojados num acampamento com condições incríveis. Aquilo são tendas mas com eletricidade, camas, casa de banho, tudo que é necessário. Ainda nos ofereceram de comer apesar de já ser bastante tarde para o almoço, mas foram super prestáveis.
Pousamos as nossas coisas e fomos ainda cerca de uma hora e meia ao safari. Na entrada fomos bombardeados por senhoras da Tribo que vendem algumas lembranças e comprei algumas. Tive de usar as minhas técnicas de negociação para baixar os preços (no qual sou muito má) mas ainda consegui umas coisinhas por bons preços. Infelizmente, no safari não deu para muito devido ao limite de tempo que tínhamos nesse dia. Mesmo assim ainda vimos alguns animais e foi bom para termos um cheirinho do que ia ser o dia seguinte.
Jantamos, a comida era muito boa, tomamos um bom duche porque levamos com muita poeira e encontramo-nos numa da tenda com o resto do pessoal para jogar UNO enquanto tínhamos eletricidade (até às 22:30), e depois fomo-nos deitar que acordamos cedo no seguinte. Deixo essa parte para amanhã que estou um bocado cansada. Mas deixo-vos com algumas fotos desde já!
Mil kisses da vossa daisy!
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Day 22
Gostava de ter coisas para vos contar hoje mas não tenho! Estive o DIA TODO EM CASA!
Tenho andado completamente exausta, por isso decidi tirar o dia para descansar. Sinceramente não resultou muito bem porque o pessoal faz tanto barulho de manhã que acordei na mesma e não consegui adormecer mais. Aproveitei para arrumar umas coisas e lavar alguma roupa (já que, apesar deles nos lavarem a roupa normalmente, esta semana não aconteceu).
Fiquei o dia todo na sala, a ver séries e descansar. Mandei vir KFC porque faz falta alguma comida que não arroz e feijão e não fiz muito mais.
Os miúdos escreveram-me uma cartinha porque acharam que eu estava doente a dizer que tinham saudades minhas, são tão fofinhos que nem consigo aguentar!
À noite estivemos todos na conversa, mostrar videos estúpidos uns aos outros, combinar as coisas para amanhã porque (é este o objetivo deste post) vamos a Masai Mara fazer o safari.
Isto tudo para dizer que vou estar ausente o fim-de-semana todo mas prometo trazer muitas fotos para vocês porque sinto que vai ser muito giro. Vamos ficar num tipo de acampamento porque não têm autorização para construir naquelas zonas por isso são tipo tendas enormes mas com camas e eletricidade. Vai ser giro penso eu!
Hoje também comecei a pelar no raio da cara por causa do escaldão da semana passada por isso estou com um aspeto ridículo, queria partilhar isso ahah
Vou dormir que amanhã acordamos super cedo.
Mil kisses da vossa daisy e até domingo!
Tenho andado completamente exausta, por isso decidi tirar o dia para descansar. Sinceramente não resultou muito bem porque o pessoal faz tanto barulho de manhã que acordei na mesma e não consegui adormecer mais. Aproveitei para arrumar umas coisas e lavar alguma roupa (já que, apesar deles nos lavarem a roupa normalmente, esta semana não aconteceu).
Fiquei o dia todo na sala, a ver séries e descansar. Mandei vir KFC porque faz falta alguma comida que não arroz e feijão e não fiz muito mais.
Os miúdos escreveram-me uma cartinha porque acharam que eu estava doente a dizer que tinham saudades minhas, são tão fofinhos que nem consigo aguentar!
À noite estivemos todos na conversa, mostrar videos estúpidos uns aos outros, combinar as coisas para amanhã porque (é este o objetivo deste post) vamos a Masai Mara fazer o safari.
Isto tudo para dizer que vou estar ausente o fim-de-semana todo mas prometo trazer muitas fotos para vocês porque sinto que vai ser muito giro. Vamos ficar num tipo de acampamento porque não têm autorização para construir naquelas zonas por isso são tipo tendas enormes mas com camas e eletricidade. Vai ser giro penso eu!
Hoje também comecei a pelar no raio da cara por causa do escaldão da semana passada por isso estou com um aspeto ridículo, queria partilhar isso ahah
Vou dormir que amanhã acordamos super cedo.
Mil kisses da vossa daisy e até domingo!
Day 21
Mais uma vez, o dia foi bastante normal. Acordei as 8:30, fui para à escola, estivemos a dar aulas. Os miúdos estavam com uma energia ainda maior do que no resto dos dias, ao contrário de mim que estou exausta.
Mal cheguei à escola vejo três miúdas a correr na minha direção e a atirarem-se com toda a força para cima de mim, e ouço os miúdos a berrar, cantar, aquela energia inexplicável que eles têm ainda estava mais forte.
O dia era de leitura, por isso passamos a manhã a ler. Na primeira aula, estive a fazer umas fichas que o professor deu, infelizmente ainda consigo notar muitas dificuldades em alguns dos miúdos e é demasiado difícil dar especial atenção quando se tem um grupo de 6 miúdos e aula é só de uma hora.
Na segunda aula, com miúdos mais velhos, tivemos a fazer uma competição na base de compreensão e interpretação oral. Mais uma vez ganhamos, o que me deixa muito contente tal como disse ontem, mas isto não é bem sobre ganhar ou perder, é só para motivar os miúdos a darem o melhor, e eles fazem mais isso quando sentem que estão a competir.
Depois das aulas houve uma sessão de selfies, danças, musicas, penteados, etc.., os miúdos ficam tão, mas tão contentes quando lhes começo a tirar fotos que dá mesmo gosto. Ficam genuinamente felizes e querem pegar no telemóvel, querem fazer poses para as fotos, querem tirar fotos connosco, é sempre uma momento incrível!
Ao sair da escola eu e a Laura fomos até a um shopping porque tinha de levantar dinheiro e acabamos por almoçar por lá. Comi uma sandes com batatas fritas (muito boa por sinal, mas aqui qualquer coisa com carne já faz o meu dia) e depois fui comer uma tarte de maçã e beber um cappuccino que revelou ser incrível, serviço incrível e preço mais ou menos razoável.
Durante a tarde pouco fizemos, ficamos sem wi-fi outra vez, finalmente a Marianinha mudou-se para cá, tivemos a dançar eu, Mariana, Laura e Crystal na sala porque na verdade não tínhamos absolutamente nada para fazer.
Propus que fossemos jantar fora e a maioria do pessoal alinhou, então fomos a um restaurante The Smart Village que encontrei para provar alguma comida Etiopiana. Melhor decisão de sempre, aqui estava delicioso, o preço esteve mesmo muito em conta e toda a gente adorou. O ambiente do restaurante também era incrível, e até a música, que podia ser rasca, mas que todos tornaram melhor, principalmente o Joy que estava a dar tudo a cantar aquilo.
Acabamos a noite a jogar UNO. É regra geral que quem perde tem um castigo, e sendo que perdi tive de andar a escrever o meu nome no ar com rabo... Nem neste país tenho descanso, mas pronto, o pessoal aqui é incrível por isso estou bastante feliz.
E é isto, daisy's out!
terça-feira, 14 de julho de 2015
Day 20
Faz 20 dias que estou aqui, é uma sensação estranha, parece que está a passar rápido e lentamente ao mesmo tempo... não sei explicar bem.
Hoje fomos à escola e foi muito divertido. Nas duas primeiras aulas tivemos a fazer um jogo. Cada um dos "professores" estava encarregue do seu grupo e de os ajudar. Ganhei ambas as vezes, o que me deixou super contente, não ganhar propriamente, mas ver os meus miúdos tão contentes por ganhar. São mesmo muito competitivos então ficam genuinamente felizes quando ganham.
Na terceira aula, os miúdos tiveram a pintar as nossas mãos, desenhar, dançar, ensinar-nos danças e músicas, jogamos uns jogos de palavras com eles, rapazes contra raparigas! Mas foi um dia bom na escola.
Depois fomos até um shopping para comprar alguma comida e almoçar. Comi o melhor hamburguer de sempre mas honestamente, sempre que como carne aqui sou uma pessoa feliz porque não acontece todos os dias. Comprei também uma tarte de maçã incrível para o lanche e soube como uma maravilha.
Passei a tarde toda na varanda, no pc, a chillar e descansar que ando honestamente muito cansada ultimamente mas nada que não se suporte.
Cozinhei o jantar com as chinesas, fizemos um arroz com frango, tomate, cebola, alho e couve que era delicioso, quero tanto aprender as receitas delas que são mesmo muito boas, até os legumes que normalmente odeio. Acabamos a noite a conviver e jogar UNO, é sempre um momento engraçado porque arranjamos castigos para os que perdem (e que normalmente estão relacionados com twerk, só hilariante).
Daisy's out...
Hoje fomos à escola e foi muito divertido. Nas duas primeiras aulas tivemos a fazer um jogo. Cada um dos "professores" estava encarregue do seu grupo e de os ajudar. Ganhei ambas as vezes, o que me deixou super contente, não ganhar propriamente, mas ver os meus miúdos tão contentes por ganhar. São mesmo muito competitivos então ficam genuinamente felizes quando ganham.
Na terceira aula, os miúdos tiveram a pintar as nossas mãos, desenhar, dançar, ensinar-nos danças e músicas, jogamos uns jogos de palavras com eles, rapazes contra raparigas! Mas foi um dia bom na escola.
Depois fomos até um shopping para comprar alguma comida e almoçar. Comi o melhor hamburguer de sempre mas honestamente, sempre que como carne aqui sou uma pessoa feliz porque não acontece todos os dias. Comprei também uma tarte de maçã incrível para o lanche e soube como uma maravilha.
Passei a tarde toda na varanda, no pc, a chillar e descansar que ando honestamente muito cansada ultimamente mas nada que não se suporte.
Cozinhei o jantar com as chinesas, fizemos um arroz com frango, tomate, cebola, alho e couve que era delicioso, quero tanto aprender as receitas delas que são mesmo muito boas, até os legumes que normalmente odeio. Acabamos a noite a conviver e jogar UNO, é sempre um momento engraçado porque arranjamos castigos para os que perdem (e que normalmente estão relacionados com twerk, só hilariante).
Daisy's out...
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Day 18 and 19
Desculpem a ausência de ontem, mas é que não fiz absolutamente nada o dia todo. Estava super cansada do dia anterior, a Mariana estava doente, por isso passamos o dia a descansar e conversar. À noite estivemos a fazer uns jogos todos juntos e a conviver, como muitas noites.
Dormi super mal a noite toda, por isso quando me levantei estava mesmo muito cansada, quase sem vontade de ir à escola hoje, mas aqueles miúdos sabem como levantar a moral de uma pessoa. Nas aulas tiveram a contar-nos o que fizeram durante o fim-de-semana: uns foram à escola, outros estiveram a brincar, jogar futebol, viram televisão, outros não têm televisão para ver na realidade, alguns visitaram familiares, todos foram à missa mas por acaso hoje estavam muito faladores apesar de ainda notar algumas dificuldades a nível do vocabulário em inglês, tornando-se difícil eles expressarem-se. Na primeira aula uma miúda também decidiu pintar-me as unhas, por isso neste momento estou com as unhas com um verniz de purpurinas (é mesmo a minha cara).
Tive a falar com a professora, porque os miúdos, em princípio, acabam o trimestre no fim deste mês, para que, nos 10 dias de agosto que estarei cá (sozinha, porque toda a gente que está no mesmo programa que eu se vai embora), para ir à escola na mesma e ajudar miúdos individualmente. Quando temos um grupo de 6/7 crianças, todos com níveis diferentes, é muito difícil ajudar aqueles que têm mais dificuldades. Normalmente são mais tímidos, não tão participativos e tentam passar despercebido. Já que o objetivo deste programa é aumentar a capacidade de ler, acho que dar atenção especial às crianças com mais dificuldades é o melhor que posso fazer.
Depois da escola viemos para casa, almoçamos e passei a tarde a descansar apesar de não ter dormido nada. Daqui a nada vou jantar e depois devo deitar-me cedo que estou esgotada.
Deixo-vos com mais umas fotos de ontem que o resto do pessoal mandou, daisy is out!
Dormi super mal a noite toda, por isso quando me levantei estava mesmo muito cansada, quase sem vontade de ir à escola hoje, mas aqueles miúdos sabem como levantar a moral de uma pessoa. Nas aulas tiveram a contar-nos o que fizeram durante o fim-de-semana: uns foram à escola, outros estiveram a brincar, jogar futebol, viram televisão, outros não têm televisão para ver na realidade, alguns visitaram familiares, todos foram à missa mas por acaso hoje estavam muito faladores apesar de ainda notar algumas dificuldades a nível do vocabulário em inglês, tornando-se difícil eles expressarem-se. Na primeira aula uma miúda também decidiu pintar-me as unhas, por isso neste momento estou com as unhas com um verniz de purpurinas (é mesmo a minha cara).
Tive a falar com a professora, porque os miúdos, em princípio, acabam o trimestre no fim deste mês, para que, nos 10 dias de agosto que estarei cá (sozinha, porque toda a gente que está no mesmo programa que eu se vai embora), para ir à escola na mesma e ajudar miúdos individualmente. Quando temos um grupo de 6/7 crianças, todos com níveis diferentes, é muito difícil ajudar aqueles que têm mais dificuldades. Normalmente são mais tímidos, não tão participativos e tentam passar despercebido. Já que o objetivo deste programa é aumentar a capacidade de ler, acho que dar atenção especial às crianças com mais dificuldades é o melhor que posso fazer.
Depois da escola viemos para casa, almoçamos e passei a tarde a descansar apesar de não ter dormido nada. Daqui a nada vou jantar e depois devo deitar-me cedo que estou esgotada.
Deixo-vos com mais umas fotos de ontem que o resto do pessoal mandou, daisy is out!
sábado, 11 de julho de 2015
Day 17
E hoje foi dia de passeio! Depois do falhanço épico da semana passada, finalmente conseguimos ir a Hells Gate.
Acordei tão cedo e estava tão cansada, não tinha mesmo noção do dia que me esperava. Eu não conhecia aquilo, nunca achei que fosse tão grande, por isso o plano era ir e caminhar enquanto outros iam de bicicleta. Fun fact: já não andava de bicicleta há sete anos, por isso imaginem o meu medo relativamente a isto, andar ali no meio da natureza mas garantiram-me que ia ser muito plano e pouco custoso. Acabei por aceitar o desafio de andar de bicicleta até porque achei que ia ser bem mais divertido (e acabou mesmo por ser).
Tudo estava a correr bem, o sítio é mesmo incrível, paisagens lindas, animais em todo o lado, até que um diz "Grande spot lá em cima para almoçarmos". Grande ideia? Sim! Mas ir até lá foi o martírio. Fui a andar a maioria, sempre a pensar na descida porque eu não estava nada a vontade com a bicicleta, muito menos com uma descida daquele tamanho. Aquilo não tem segurança nenhuma, se cais, cais de um penhasco abaixo para vocês terem noção.
Almoçamos lá no topo, uma vista incrível, pela primeira vez tive aquela sensação de "isto sim é África", não podia ter pedido mais naquele momento. Quando chegou o momento de descer posso-vos dizer que tive três faces: 1ª não vou fazer isto, 2ª vou fazer mas tenho receio pela minha vida 3ª que sensação de liberdade incrível. As bicicletas eram a cena mais podre que possam imaginar, por isso naquela descida forte, era o descontrolo total. Mas fiquei tão orgulhosa de mim que já ando a considerar voltar a comprar uma bicicleta para usar em Portugal.
Depois disto pedalamos até a um território Massai (uma das maiores tribos quenianas) onde fomos caminhar por sítios um tanto complicados e onde o meu medo de alturas tentou falar mais alto mas lá consegui lidar com tudo e valeu muito a pena porque aquilo era só lindo. Ainda estive a aprender algumas palavras em chinês, asneiras na verdade, e a ensinar aos chineses algumas coisas feias em português. Eles adoraram demais, o que vale é que raramente se vêem portugueses aqui!
A pedalada de volta é que já não foi tão agradável... Entre o cansaço, a dor de rabo fortíssima (não sejam maldosos, vá) e o sol ali a bater-me na cabeça, foi demasiado complicado chegar a porcaria da entrada. Para ajudar, quando estava sozinha no meio da natureza, com animais a solta, a minha bicicleta decidiu estragar-se, ou seja, tive de ir a pé e a carregar a porcaria da bicicleta.
Em soma foi um dia muito bom, só cai duas vezes (e fiz outras pessoas cair, se isso conta...), valeu imenso a pena, quem vier cá aconselho: vão a Hells Gate e aluguem a bicicleta que vão ter um dia muito bem passado!
Depois disto voltamos para casa, onde finalmente pude tomar um bom banho, comer e descansar. Deixo-vos com algumas fotos que tiramos hoje e vou dormir que aqui já se faz bastante tardes. Daisy's tired.
Acordei tão cedo e estava tão cansada, não tinha mesmo noção do dia que me esperava. Eu não conhecia aquilo, nunca achei que fosse tão grande, por isso o plano era ir e caminhar enquanto outros iam de bicicleta. Fun fact: já não andava de bicicleta há sete anos, por isso imaginem o meu medo relativamente a isto, andar ali no meio da natureza mas garantiram-me que ia ser muito plano e pouco custoso. Acabei por aceitar o desafio de andar de bicicleta até porque achei que ia ser bem mais divertido (e acabou mesmo por ser).
Tudo estava a correr bem, o sítio é mesmo incrível, paisagens lindas, animais em todo o lado, até que um diz "Grande spot lá em cima para almoçarmos". Grande ideia? Sim! Mas ir até lá foi o martírio. Fui a andar a maioria, sempre a pensar na descida porque eu não estava nada a vontade com a bicicleta, muito menos com uma descida daquele tamanho. Aquilo não tem segurança nenhuma, se cais, cais de um penhasco abaixo para vocês terem noção.
Almoçamos lá no topo, uma vista incrível, pela primeira vez tive aquela sensação de "isto sim é África", não podia ter pedido mais naquele momento. Quando chegou o momento de descer posso-vos dizer que tive três faces: 1ª não vou fazer isto, 2ª vou fazer mas tenho receio pela minha vida 3ª que sensação de liberdade incrível. As bicicletas eram a cena mais podre que possam imaginar, por isso naquela descida forte, era o descontrolo total. Mas fiquei tão orgulhosa de mim que já ando a considerar voltar a comprar uma bicicleta para usar em Portugal.
Depois disto pedalamos até a um território Massai (uma das maiores tribos quenianas) onde fomos caminhar por sítios um tanto complicados e onde o meu medo de alturas tentou falar mais alto mas lá consegui lidar com tudo e valeu muito a pena porque aquilo era só lindo. Ainda estive a aprender algumas palavras em chinês, asneiras na verdade, e a ensinar aos chineses algumas coisas feias em português. Eles adoraram demais, o que vale é que raramente se vêem portugueses aqui!
A pedalada de volta é que já não foi tão agradável... Entre o cansaço, a dor de rabo fortíssima (não sejam maldosos, vá) e o sol ali a bater-me na cabeça, foi demasiado complicado chegar a porcaria da entrada. Para ajudar, quando estava sozinha no meio da natureza, com animais a solta, a minha bicicleta decidiu estragar-se, ou seja, tive de ir a pé e a carregar a porcaria da bicicleta.
Em soma foi um dia muito bom, só cai duas vezes (e fiz outras pessoas cair, se isso conta...), valeu imenso a pena, quem vier cá aconselho: vão a Hells Gate e aluguem a bicicleta que vão ter um dia muito bem passado!
Depois disto voltamos para casa, onde finalmente pude tomar um bom banho, comer e descansar. Deixo-vos com algumas fotos que tiramos hoje e vou dormir que aqui já se faz bastante tardes. Daisy's tired.
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