Depois de dormir cerca de 3 horas, levanto-me as 3;30 da manhã para ir para o Aeroporto. A primeira viagem foi para Paris.
Sabem aquela sensação de cansaço tão forte que nem conseguem dormir? Era exatamente como me sentia. Decidi olhar a minha volta e estava tudo completamente desmaiado a dormir e eu ia simplesmente a fazer aquelas sessões de pensamento estúpidos: e se o avião cair agora? Qual era o melhor sítio para me proteger? Qual a probabilidade de sobreviver? Se sobrevivesse ia receber grande indemnização! Porquê que em vez dos coletes salva-vidas não colocam paraquedas? Nunca ouvi nenhuma história de pessoas que sobreviveram graças ao cinto de segurança, máscara de oxigênio e colete mas pronto... As nuvens estão mesmo giras! Se fossem multicolores ainda seriam mais giras... (Acho que já perceberam a ideia!).
Claro que eu não era eu se não me perdesse, então lá andei eu, por corredores desconhecidos no aeroporto de Paris, até que um rapaz que lá trabalhava achou que eu era uma miúda de 16 anos que tinha perdido os pais e me veio ajudar. Atravessei meio mundo para conseguir chegar ao terminal certo (juro que até um maratonista ficava cansado com aquilo) mas finalmente consegui chegar ao lugar certo.
A viagem para Nairobi foi super cansativa. Não dormi absolutamente nada. Conheci uma senhora muito simpática que não fazia a mínima ideia de onde era Portugal, cada vez percebo mais quão pequeno é o nosso cantinho e quão despercebido passa. O voo foi tranquilo tirando algumas turbulências, principalmente à chegada e que punha a Senhora do meu lado esquerdo a rezar e o rapaz do meu lado direito a bater mal simplesmente.
O processo do Visto foi tranquilo, na verdade eles não quiseram saber... Pelos vistos aqui ser confiante é meio caminho andado para ser respeitado, mesmo quando se está errado, deve-se estar confiantemente errado.
Ao chegar fora do aeroporto, em cinco minutos um gajo já me tinha dado o número e sacado o meu, literalmente sacado sendo que pegou no meu telemóvel e simplesmente ligou para o dele enquanto eu estava com a minha cara de "what the fuck is happening?".
Passado 20 minutos o pessoal da AIESEC chegou, todos super simpáticos, super disponíveis, super tudo! Acho que o nervosismo passou todo quando eles começaram a gozar com a minha historinha do número que tinha acabado de aconteceu. Em 5 minutos estavam já a falar de festa, o meu tipo de pessoas basicamente.
A casa é tranquila, o quarto um bocado pequeno mas vive-se bem! Toda a gente me chama "margarita" o que também é tranquilo claro. Não me consigo lembrar do nome de ninguém por isso vai ser uma luta, até porque não são propriamente nomes portugueses. Mas até agora tranquilo. Sempre tranquilo.
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