quinta-feira, 25 de junho de 2015

Day 1

Primeira noite: dormi super bem mas fui completamente atacada por mosquitos. Acho que tenho de aceitar que vou ser sempre essa pessoa: em mil pessoas numa sala, os mosquitos escolhem-me sempre a mim. Conclusão: acordei com o olho inchado (excelente maneira de criar uma boa primeira impressão).
Quando acordei já não estava ninguém em casa, sendo que a maioria dos projetos são de manhã. Tomei o pequeno almoço, que consiste em chá e torradas, e fiquei satisfeita com isso, ao contrário dos outros que estão habituados a pequenos almoços pesados. Depois encontrei-me com o Joe, que faz parte da AIESEC no Quénia e o meu Buddy, que é basicamente quem me acompanha aqui. 
Coisas que descobri que Portugal tem em comum com o Quénia: 1º eles comem "sonhos" (aqueles que nós comemos no natal) mas o ano todo, e sem o açucar e a canela, e é muito provável que tenha vindo de nós porque 2º os portugueses tiveram mesmo presentes no Quénia e deixaram algumas heranças para trás, e até têm um pilar em homenagem a Vasco da Gama em Mombaça. 
Adiante! Fui visitar o comité do Quénia da AIESEC onde claro toda a gente foi impecável comigo. Depois fui passear que é a parte que interessa. Fui ao Animal Orphanage com duas pessoas sendo que uma delas conheci no dia anterior e outra nunca tinha visto na minha vida. Acho que este é o maior desafio até agora, conhecer e confiar tão rapidamente em pessoas pode ser bastante complicado para mim.  Lá pudemos ver leões, leopardos, macacos, estão a perceber a ideia acho eu. Depois disso fiquei apenas com o mano que também é estagiário e tivemos a vistar casas típicas das tribos quenianas. Ele sabia tanto sobre o assunto que é ridículo a sério. Acho que aprendi mais sobre a cultura queniana hoje do que irei aprender, e nem sequer foi um gajo daqui que me ensinou. Mas o que aconteceu depois, é mesmo daquelas cenas que levo comigo...
Tinhamos um taxi que disse que nos ia buscar, por isso estávamos tranquilos. Então começou a escurecer, lá para as 18:00, e nós já estávamos à espera há algum tempo, mas até se estava bem com a luz (apesar de estar a ser devorada por mosquitos, mas ok), entretanto fica escuro, mas mesmo escuro, por isso fomos para a entrada que estava deserta. Cenário super assustador, super creepy, e estou eu e o mano que basicamente conhecia só a umas horas. Problema: o gajo é pior do que eu em criar cenários assustadores. Começa-me com cenas do tipo "isto é tudo parte de um plano para te raptar" ou "o que é pior: matarem-te ou matarem-me a mim e darem-te o meu corpo de alimento?" entre mil e outros cenários assustadores que ninguém consegue imaginar. Na verdade, teve imensa piada, apesar de naquelas 3 horas ter estado um bocado assustada.
Agora que penso nisso, é deste tipo de situações que preciso, fora da minha zona de conforto, assustada, com alguém que mal conheço mas que consegui logo perceber que era incrível, preciso de começar a perceber esse tipo de coisas, perceber melhor as pessoas, foi exatamente para o tipo de experiências anormais que vim. Do dia todo que tive, o que retirei foi 3 horas sentadas ao escuro a falar de cenas aleatórias com um mano que mal conhecia e que decidiu assustar-me o tempo todo. Falamos de nós, de religião, dos nossos países, culturas, diferenças...
Depois de tudo isto, finalizamos a noite num restaurante chamado "Carnivore" que é basicamente carne em todo o lado onde comi, entre outras carnes normais, crocodilo e testículos de touro... Os testículos sabem a moelas, e o crocodilo tem uma textura estranha e um sabor doce (caso queiram estejam curiosos).
Basicamente foi isto, e agora vou dormir que amanhã acorda-se super cedo para ir trabalhar.
Hakuna Matata everyone!


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