sexta-feira, 10 de julho de 2015

Day 16

Jambo!
Hoje na escola não demos aulas porque foi dia de limpezas. Não só passaram o dia a limpar a escola mas também as ruas. Quando cheguei à escola fui imediatamente bombardeada por miúdos e professores para ir com eles para as tuas limpar e perdi o pessoal do projeto. Como sou parva e não tinha o número deles tive de pedir a uma outra rapariga de outro projeto. Problema: ela percebe mal inglês então percebeu que eu queria o meu número. Conclusão: Tive a ligar para mim própria durante cerca de 30 minutos quando finalmente percebi o que estava a acontecer.
Quando finalmente arranjei o número de um deles, fomos catalogar alguns livros que a escola tem para os podermos por na biblioteca. Nunca vi tanto pó na minha vida juro. Apesar de terem alguns livros, eles não tomam a iniciativa de criar a biblioteca porque basicamente ninguém se quer encarregar disso e é por isso que nós estamos aqui.
Depois disto fomos até a cidade almoçar e fomos até ao hospital para passar tempo com uns miúdos que estão lá internados. Passado uns minutos, posso-vos dizer que se esquece a parte da doença. Nunca vi miúdos tão cheios de vida, e não estou a ser irónica ou a tentar fazer uma piada de mau gosto. É em momentos como estes que questiono mesmo o que é importante. Quando olhei para eles, só vi os sorrisos, a energia, a boa disposição, mas depois abstrai-me desta positividade toda por um segundo e vi a falta de cabelo de alguns, cateteres, mas que se torna despercebido por tudo que eles libertam e passam para quem os rodeia.
Pela primeira vez tive um desafio que aqui ainda não tinha tido. Estive com uma menina, a Mjoki, que não falava uma palavra de inglês. E vocês perguntam: então o que estiveste a fazer com ela? Foi isso que me perguntei durante cerca de 20 minutos. Olhei para ela, tentei falar com ela, nada resultou. Depois de 20 minutos a pensar "Margarida, que raio estás a fazer? Ela não percebe puto do que estás a dizer" finalmente cheguei a uma conclusão: as crianças querem todas a mesma coisa, seja em inglês, português, swahili ou não, eles querem carinho, querem atenção, querem brincar, querem sentir-se amados... Por isso comecei a fazer algumas brincadeiras com ela e finalmente consegui fazer a miúda sorrir, e acreditem, não há nada mais universal que um sorriso e, naquele momento, não havia nada que eu quisesse mais do que aquele sorriso.
Entre as brincadeiras com a Mjoki e a matemática com outros miúdos, lá se passou 1 hora e meia e tivemos de ir embora. Mas aquela energia é definitivamente algo que não me vai deixar tão cedo, e é definitivamente disto que falo quando digo que quando voltar a minha rotina, não vou olhar da mesma forma para as coisas.
Depois do hospital fomos até à cidade comprar algumas coisas para o dia de amanhã que vamos passear e vim para casa. Tivemos a jogar UNO como crianças e a conviver, como todas as noites basicamente.
E é isto por hoje, trago mais novidades amanhã provavelmente, Daisy is out.

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