quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Day 41 and 42

Peço imensa desculpa estar a falhar com as postagens mas ando tão cansada que quando chego ao fim do dia só quero dormir.
Esta contagem decrescente está a começar a intensificar-se... Não sei se estou contente ou triste por isto estar a acabar: por um lado tenho saudades de casa, de Portugal, principalmente da família e dos amigos, e está aí um Paredes de Coura à porta para o qual estou mesmo ansiosa. Mas por outro lado, já criei algumas raízes aqui, as pessoas, as crianças, esta rotina de ir todos os dias fazer algo que me dá mesmo gosto fazer (não aquela rotina aborrecida de que toda a gente se cansa facilmente e de que está farta), algo que me apaixona com pessoas que me apaixonam, não há sensação comparável, não que tenha sentido até agora na minha vida pelo menos. Deixar isto para trás vai ser não só difícil mas estranho, deixar esta vida, porque juro que aqui, a fazer isto, sou genuinamente feliz!
Ontem fui para a escola e estive a passar tempo com os miúdos sendo que as aulas já acabaram estive só a fazer um jogos com eles, nada demais, mas é sempre melhor que nada. 
Hoje fui para lá e estive com eles algum tempo, a conversar... Estavam imensos pais porque era dia de ir buscar as notas dos exames e alguns deles até se safaram bem. Isto é super importante principalmente para os que vão para o secundário porque define a facilidade de acesso às escolas, principalmente a nível monetário porque se tiverem boas notas é mais fácil terem apoio financeiro.
Cada vez penso mais em pagar o secundário ao Victor... Não sei se lembram de eu falar dele mas é o miúdo que me levou a visitar a casa dele. Teve um resultado de 260/500 (que não é mau) mas mesmo assim vai precisar de dinheiro para pagar o secundário e seria um privilégio para mim poder oferecer-lhe isso porque merece. O miúdo é tão trabalhador, educado, esforçado e ambicioso que só dá mesmo vontade de o ajudar e sei que o faria tão mas tão feliz que vale a pena só por isso.
Hoje na conversa também falei com um miúdo que muito naturalmente me diz "eu não tenho pais, moro com os meus tios" e fiquei boquiaberta. A naturalidade e simplicidade com que ele disse aquilo partiu-me o coração, como se fosse algo tão natural e normal, mas é o normal dele provavelmente, a realidade dele e a de muitos miúdos. Quando lhe disse que também perdi o meu pai a reação dele foi incomparável, como se tivesse pensado "engraçado, ela também tem problemas parecidos com os meus", senti que se identificou e que lhe abriu os olhos para o facto de haver pessoas, mesmo nós, mzungus, europeus, tão longe deles e tão bem financeiramente também nos deparamos com problemas assim...
Depois da escola vim para casa onde passei a tarde a descansar e fomos jantar a um restaurante ao qual já tinha ido com comida da Etiópia. Foi delicioso, barato, tudo que há de bom.
Deixo-vos com umas poucas fotos de hoje, porque em vez de tirar fotos estive mais a ensinar-lhes a tirar fotos que eles adoram...




Nenhum comentário:

Postar um comentário